A utilização dos motion graphics nos videoclipes como componente estético e narrativo
DOI:
https://doi.org/10.34019/1981-4070.2026.v20.50291Palavras-chave:
comunicação, motion graphics, videoclipe, estética visual, narrativa audiovisual.Resumo
Este artigo investiga o papel dos motion graphics nos videoclipes contemporâneos, compreendendo-os como uma linguagem estética e comunicacional capaz de estruturar narrativas próprias. Diferentes dos usos meramente decorativos, os motion graphics articulam tipografia, formas gráficas e recursos animados em diálogo direto com a trilha sonora, instaurando atmosferas visuais que expandem a experiência sensorial do espectador. Para evidenciar esse potencial, o estudo analisa três produções brasileiras: Ficha Suja (MV Bill), Pode acreditar (Marcelo D2 e Seu Jorge) e Bang (Anitta). Em cada caso, são identificadas funções específicas: a condensação simbólica de ícones políticos e sociais; a organização narrativa por meio da colagem urbana; e a estética performática, centrada na expressividade pop e na imersão rítmica. A análise demonstra que os motion graphics não apenas acompanham a música, mas a reconfiguram em camadas visuais, simbólicas e identitárias, ampliando seu alcance estético e comunicacional. Além disso, discutem-se os desafios contemporâneos impostos pela saturação imagética e pela influência algorítmica de plataformas digitais, que simultaneamente padronizam e estimulam novas formas de experimentação. Conclui-se que, em um cenário audiovisual marcado pela velocidade e pela diversidade, os motion graphics consolidam-se como linguagem autônoma, crítica e versátil, ocupando lugar central na produção cultural e acadêmica atual.
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