Monges barbudos, trabalhadores rurais e messianismo em Soledade e Sobradinho: um movimento de resistência local contra a violência política e econômica dos anos 1930

  • Maria da Glória Lopes Kopp Pontifícia Universidade Católica - Rio Grande do Sul
Palavras-chave: movimento de trabalhadores rurais, movimento messiânico, monges barbudos, Sobradinho e Soledade, violência do Estado.

Resumo

O artigo apresenta o movimento dos trabalhadores rurais liderados pelos monges barbudos de Soledade e Sobradinho, ocorrido na década de 1930, no Rio Grande do Sul.  Na perspectiva dos monges barbudos, pode-se afirmar que a religiosidade serviu de base para a formação de uma aliança entre os pequenos produtores empobrecidos e os trabalhadores rurais safristas que habitavam as florestas, o chamado “povo do mato”.  Ao longo da pesquisa, foi possível observar o espaço social do mato, como lugar de produção, moradia, subsistência e fuga de relações de opressão de diversas naturezas.  Com metodologia antropológica e historiográfica, é criado um diálogo com as fontes, evidenciando os interesses em conflito que culminaram com a ação violenta, do Estado e das elites locais, contra o movimento e a execução das lideranças. Esses “caboclos” foram comparados, pelo juiz de direito da Comarca de Candelária, com os muckers (1868-1874) do Ferrabraz, no Rio Grande do Sul, e com os rebeldes de Canudos (1893-1897), na Bahia. Observamos que, na análise dos movimentos religiosos e messiânicos brasileiros, não raras vezes, o caráter político e contestatório dessas organizações sociais rurais foi minimizado.

Publicado
2016-08-04