Consumo de alimentos processados e ultraprocessados em indivíduos adultos com excesso de peso

  • Vanessa Cirilo Caetano Universidade Federal de Juiz de Fora
  • Bruna de Freitas Alvim Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Nutrição, Departamento de Nutrição - Juiz de Fora, MG
  • Bethânia Esmeralda Claudiano Silva Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Nutrição, Departamento de Nutrição - Juiz de Fora, MG
  • Rayane Silva Martins Ribeiro Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Nutrição, Departamento de Nutrição - Juiz de Fora, MG
  • Felipe Silva Neves Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Nutrição, Departamento de Nutrição - Juiz de Fora, MG
  • Sheila Cristina Potente Dutra Luquetti Universidade Federal de Juiz de Fora, Faculdade de Nutrição, Departamento de Nutrição - Juiz de Fora, MG
Palavras-chave: Obesidade. Consumo de alimentos. Alimentos industrializados.

Resumo

O objetivo do trabalho foi avaliar a contribuição dos alimentos in natura, processados e ultraprocessados na ingestão calórica, de macronutrientes e fibras em indivíduos adultos com excesso de peso. Trata-se de estudo transversal, com questionário quantitativo de frequência para avaliar o hábito alimentar. Os alimentos consumidos foram classificados em três grupos: Grupo 1 (G1) - alimentos in natura ou minimamente processados; Grupo 2 (G2) - alimentos processados e ingredientes culinário (sal, o açúcar, o azeite e vinagre) e Grupo 3 (G3) - alimentos ultraprocessados. Foi feita estimativa do consumo energético, de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos) e fibras em 93 participantes, sendo 72,0% mulheres e a maioria dos participantes apresentavam obesidade e hipertensão arterial. O consumo calórico mediano dos participantes foi de 2002,1 calorias/dia, sendo 58,4% de carboidratos, 17,7% de proteínas, 28,1% de lipídeos e 27,6g (Por que aqui não foi em %?) de fibras.  Considerando o grau de processamento dos alimentos, evidenciamos consumo mediano de 975,5 calorias diárias, 29,4% de carboidratos, 11,5% de proteínas, 10,9% de lipídeos e 18,6g de fibras no G1. Para os alimentos dos Grupos 2 e 3 foram observados valores menores de consumo de energia (442,3 e 491,5 calorias), carboidratos (10,1% e 14,6%), proteínas (3,1% e 2,1%) lipídeos (8,5% e 6,7%) e fibras (2,0g e 3,1g), respectivamente. Os dados do estudo indicam que os alimentos in natura (G1) apresentaram maior contribuição para a ingestão calórica dos indivíduos com excesso de peso. Quando considerado o consumo de alimentos processados (G2) e ultraprocessados (G3) em conjunto, a contribuição destes para a ingestão calórica e de carboidratos dos participantes foi semelhante ao consumo dos alimentos in natura. Desta forma, o consumo desses alimentos processados e ultraprocessados foi relativamente alto na alimentação contribuindo para maior consumo de energia, açúcares e gorduras pouco saudáveis, aliado a baixos teores de fibras.

Biografia do Autor

Vanessa Cirilo Caetano, Universidade Federal de Juiz de Fora

- Vanessa Cirilo Caetano, vanessacirilo.jf@gmail.com, Departamento de Nutrição/UFJF, Acadêmica;

 

 

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Publicado
2019-01-09
Como Citar
Caetano, V. C., Alvim, B. de F., Silva, B. E. C., Ribeiro, R. S. M., Neves, F. S., & Luquetti, S. C. P. D. (2019). Consumo de alimentos processados e ultraprocessados em indivíduos adultos com excesso de peso. HU Revista, 43(4), 355 - 362. Recuperado de https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/2861
Seção
Artigos Originais

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