Ligas acadêmicas na educação médica: uma análise institucional sob a visão dos orientadores

  • Gabriela Cumani Toledo Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – Suprema
  • Marcus Gomes Bastos Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF
  • Karine Miranda Barbosa Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – Suprema
  • Paula Corrêa de Araújo Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – Suprema.
  • Gabriel Lunardi Aranha Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – Suprema
  • Ana Paula Ferreira Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – Suprema
  • Gustavo Bittencourt Camilo Faculdade de Medicina da UFJF
Palavras-chave: Educação Médica, Ciências da Saúde

Resumo

Introdução: As Ligas Acadêmicas de Medicina (LAM) surgiram no Brasil no início do século XX como reuniões de alunos, na necessidade de combate à alta prevalência dos agravos de saúde pela tuberculose e pela hanseníase. Na década de 90, a criação de novas LAMs permitiu um ambiente de discussão e prática de atividades em área de saúde de interesse de um conjunto de alunos e foi, assim, ganhando cada vez mais espaço na formação médica. Todavia, ainda são poucas as evidências científicas que discutem as finalidades e contribuições das LAMs durante a graduação, seja do ponto de vista do aluno ou do orientador. Objetivo: Estudar o perfil das ligas acadêmicas do curso de medicina de uma instituição de ensino da cidade de Juiz de Fora – MG. Material e Métodos: Trabalho de natureza descritiva e transversal que teve como instrumento de pesquisa questionário estruturado com 12 perguntas fechadas, previamente definidas, que foi respondido pelos orientadores das LAMs. Resultados: Em 2018, havia na instituição 36 ligas oficialmente constituídas com 37 orientadores. Quanto a frequência de encontros, os mesmos são majoritariamente mensais (78,4%) e 78,4% contam com a participação dos orientadores. Quanto à participação científica, 70,3% fazem discussão de artigos científicos, 62,2% possuem práticas extra-curriculares, 10,8% realizaram projetos de extensão e 13,5% têm trabalhos vinculados ao Programa de Iniciação Científica. Ressalta-se que a percepção dos orientadores é que 56,8% dos alunos participam para pontuação em programas de residência médica. Finalmente, 89,2% consideram o modelo de gestão adequado. Conclusão: A percepção dos orientadores é importante para a análise das ligas de forma a garantir melhorias principalmente para a educação e extensão. Somente com a descrição e estudo da situação atual será possível imprimir sugestões e avanços nessa questão, que já é tema central dentro da educação médica.

Referências

Pêgo-Fernandes PM, Mariani AW. O ensino médico além da graduação: ligas acadêmicas. Diagn Tratamento. 2011; 16(2):50-1.

Santana ACDA. Ligas acadêmicas estudantis: o mérito e a realidade. Medicina2012; 45(1):96-8.

Bastos MLS, Trajman A, Teixeira EG, Selig L, Belo MTCT et al. O papel das ligas acadêmicas na formação profissional. J Bras Pneumol. 2012; 38(6):803-5.

Resolução CNE/CES 3/2014. Diário Oficial da União, Brasília, 23 de junho de 2014 – Seção 1 – pp. 8-11. DENEM. Ligas Acadêmicas 2014 [citado em 2019 Feb 19] Disponível em https://www.denem.org.br/.

Torres AR, Oliveira GC, Yamamoto FM, Lima MCP. Academic leagues and medical education: contributions and challenges. Interface. 2008; 12(27):713-20.

Peres CM, Andrade AS, Garcia AB. Atividades extracurriculares: multiplicidade e diferenciação necessárias ao currículo. Rev Bras Educação Médica. 2006; 31(3):203-11.

Pêgo-Fernandes PM, Mariani AW. O ensino médico além da graduação: ligas acadêmicas. Diagn Tratamento. 2011; 16(2):50-1.

Hamamoto Filho PT. Ligas acadêmicas: motivações e críticas a propósito de um repensar necessário. Rev Bras Educ Med. 2011; 35(4):535-43.

Silva AS, Flores O. Ligas Acadêmicas no processo de formação dos estudantes. Rev Bras Educ Med. 2015; 39(3):410-25.

Botelho NM, Ferreira IG, Souza LEA. Ligas Acadêmicas de Medicina: artigo de revisão. Rev Para Med. 2013; 7(4):85-88.

Hamamoto Filho PT, Villas-Boas PJF, Correa FG, Munoz GOC, Zaba M, Venditti VC et al. Normatização da abertura de ligas acadêmicas: a experiência da Faculdade de Medicina de Botucatu. Rev Bras Educ Med. 2010; 34(1)160-7.

Belei RA, Gimeniz-Paschoal SR, Nascimento EN. História curricular dos cursos de graduação da área da saúde. História da Educação. 2008; 12(24):101-20.

Hamamoto Filho PT. Como as ligas acadêmicas podem contribuir para a formação médica? Diagn Tratamento. 2011; 16(3):137-8.

Imakuma ES. As ligas acadêmicas no ensino médico. Rev Med. 2013; 92(4):271-2.

Canôas WS. O significado das ligas acadêmicas para estudantes de medicina [dissertação]. Sorocaba: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde; 2016.

Ramalho AS, Silva FD, Kronemberger TB, Pose RA, Torres ML, Carmona MJ, Auler Jr JO. Anesthesiology teaching during undergraduation through na academic league: what is the impact in students learning? Rev Bras Anestesiol. 2012; 62(1):63-73.

Cavalcante ASP, Vasconcelos MIO, Lira GV et al. As ligas acadêmicas na área da saúde: lacunas do conhecimento na produção científica brasileira. Rev Bras Educ Med. 2018; 42(1):197-204.

Monteiro LLF, Cunha MS, Oliveira WL, Bandeira NG, Menezes JV. Ligas acadêmicas: o que há de positivo? Experiência de implantação da Liga de Cirurgia Plástica. Rev Bras Cir Plást. 2008; 23(3):158-61.

Azevedo RP, Dini PS. Guia para construção de ligas acadêmicas. Ribeirão Preto: Assessoria Científica da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina; 2006.

Mitre SM, Batista R, Mendonça JMG, Pinto NMN, Meirelles CAB, Porto CP et al. Metodologias ativas de ensino-aprendizagem na formação profissional em saúde: debates atuais. Cienc Saud Coletiv. 2008; 13(2):2133-44.

Publicado
2020-02-14
Como Citar
1.
Cumani Toledo G, Gomes Bastos M, Miranda Barbosa K, Corrêa de Araújo P, Lunardi Aranha G, Ferreira AP, Camilo GB. Ligas acadêmicas na educação médica: uma análise institucional sob a visão dos orientadores. hu rev [Internet]. 14º de fevereiro de 2020 [citado 4º de julho de 2020];45(4):421-5. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/27899
Seção
Artigos Originais

Artigos mais lidos pelo mesmo (s) autor (es)