Percepções sobre drogas, dependência química e busca de tratamento segundo elaborações cosmológicas de católicos e pentecostais

  • Janine Targino Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - IUPERJ
  • José Wellington de Souza Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Resumo

No presente artigo pretendemos apresentar um estudo comparado dos resultados encontrados por duas etnografias realizadas em torno da questão do uso crônico de álcool e drogas entre moradores de regiões periféricas. Ao mesmo tempo, iremos expor as interpretações que os usuários e suas famílias tinham sobre as causas da dependência química. De antemão, é importante salientar que, nos dois cenários onde os autores fizeram suas etnografias, as explicações encontradas para a dependência química gravitavam em torno das elaborações religiosas do catolicismo e do pentecostalismo. No entanto, no primeiro caso, onde a experiência religiosa dos indivíduos se fundamentava sobre os preceitos do catolicismo carismático, identificamos uma retórica voltada para o uso da medicina e da ciência de maneira geral como estratégias para lidar com a questão do uso sistemático de drogas, ainda que a dependência química fosse vista como um resultado de fatores não só bioquímicos, mas também emocionais e religiosos. Por outro lado, o segundo contexto observado era mais influenciado por preceitos do catolicismo popular e do pentecostalismo e se referia ao uso de drogas como um fenômeno apenas de ordem mágico-religiosa, o que justificaria o uso de recursos mágico-religiosos para cuidar dos indivíduos usuários problemáticos de drogas.

Biografia do Autor

Janine Targino, Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - IUPERJ
Possui bacharelado em Ciências Sociais (2008), licenciatura em Ciências Sociais (2008), mestrado em Ciências Sociais (2010) e doutorado em Ciências Sociais (2014) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Também possui pós-doutorado em Sociologia Política pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (2018). Atualmente é professora no Programa de Pós-graduação em Sociologia Política do IUPERJ-UCAM., professora substituta na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ e coordenadora de pesquisa vinculada à Rutgers University - New Jersey. Tem experiência em Sociologia e Antropologia, com ênfase em Sociologia da Religião e Antropologia da Religião, atuando principalmente nos seguintes temas: Pentecostalismo, Renovação Carismática Católica e discursos religiosos acerca da dependência química.
José Wellington de Souza, Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora, (2006), mestre em Ciência da Religião pelo PPCIR da Universidade Federal de Juiz de Fora (2010) com desenvolvimento de trabalho etnográfico sobre catolicismo rural e desagregação social, e doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal de Juiz de Fora, trabalhando com sociologia da cultura , pensamento social brasileiro e sociologia dos intelectuais, com tese sobre "raça" e "eugenia" na obra de Monteiro Lobato (2017). Fui professor de sociologia nos três anos do ensino médio na rede publica de Juiz de Fora-MG de Abril de 2010 a Março de 2013.

Publicado
2020-11-05