Carnavalização e a representatividade equivocada da mulher negra em Xica da Silva

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DOI:

https://doi.org/10.34019/2318-101X.2020.v15.29319

Resumo

O artigo faz uma analise do filme Xica da Silva (1976), do diretor Carlos Diegues trabalhando o conceito de carnavalização aos moldes de Mikhail Bakhtin. Uma estética da inversão que coloca o oprimido como opressor, mas que ao mesmo tempo não foi muito bem vista por alguns críticos da imprensa que acusaram o diretor de usar o apelo da comédia erótica para conquistar o público, trazendo uma visão da mulher negra como objeto sexual. Analise feita através de uma abordagem metodológica do contexto histórico de Marc Ferro, junto a uma revisão da critica feita ao filme depois de sua estreia. Percebendo uma importante discussão acerca da representatividade do negro, num momento em que a intelectualidade brasileira, principalmente a universitária, começa a aderir aos Estudos Culturas. Perspectiva que busca analisar a cultura de massa: literatura popular, rádio, televisão, as mídias em geral; assimilando uma heterogeneidade de temas, como gênero, raça, e sexualidade. Assim a obra está inserida na dinâmica entre uma representatividade equivocada, que não privilegiaria a identidade da mulher negra, e o uso da sensualidade, da carnavalização como uma estratégia de crítica ao poder dominante. Seria, então, Xica da Silva uma transgressora imagem política, ou um objeto sexual idealizado por uma elite branca e de classe média?

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Publicado

2020-12-15