A(s) casa(s) e a rua: o zelo pela moradia dos deuses e de si-mesmo por parte de candomblecistas em processo de desinstitucionalização em saúde mental

Resumo

O presente artigo aborda, a partir da discussão foucaultiana acerca do cuidado de si, como a imersão no candomblé atua sobre o senso de corporeidade de seus partícipes, sobretudo aqueles que padecem de alguma forma de sofrimento mental e buscam a referida religião no sentido de apaziguar ou dirimir sua experiência de aflição. A abordagem metodológica utilizada – a cartoetnografia (PORTUGAL; NUNES, 2015) - envolveu entrevistas não-estruturadas e observação participante. Os dados foram analisados com base na hermenêutica crítica e no artefato intitulado “matriz cartoetnográfica de linhas de pensamento”. Pudemos verificar que se perceber como candomblecista envolve um aprimoramento do cuidado de si que perpassa duas dimensões centrais: a transformação da expressão e da estética corporal, assim como um esforço de reelaboração do espaço da casa; ambos no sentido de afirmar-se como candomblecista e seu pertencimento a esse grupo religioso. A partir disso, concluímos que o “tornar-se filho de santo” incrementa o cuidado de si e propicia, consequentemente, um adensamento da rede social de apoio, do reconhecimento (HONNETH, 2003) e de elaboração tática do cotidiano (DE CERTEAU, 1998).

Biografia do Autor

Clarice Moreira Portugal, UFBA

ossui graduação em Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2009), graduação em Formação de Psicólogo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2009), mestrado em Informação e Comunicação em Saúde ( Ppgics ) pela Fundação Oswaldo Cruz (2014), doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia (2018) e pós-doutorado no Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (2019). É pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Saúde Mental (NISAM/ ISC/ UFBA). Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Saúde Mental e Ciências Sociais em Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: saúde mental, religiosidade afro-brasileira, itinerários terapêuticos, experiência de adoecimento, sofrimento social, suicídio, comunicação e saúde, saúde coletiva e antropologia da saúde.

Publicado
2020-04-15