C. J. PASCOE - Notas sobre uma sociologia do bullying: homofobia de homens jovens como socialização de gênero

Resumo

Discursos populares e acadêmicos enquadram o bullying como algo que uma criança homofóbica dirige a outra, uma pessoa gay, lésbica ou bissexual, geralmente a primeira estando em posição mais elevada em relação a segunda, e com resultados frequentemente desastrosos. Este artigo destrincha esses discursos na atualidade e enfatiza o importante papel de interações agressivas em jogo na socialização de gênero entre meninos.  A partir de um estudo de caso de bullying homofóbico entre adolescentes do sexo masculino, este artigo sugere que o estudo desse tipo de agressões é menos importante no que tange patologias individuais e mais relevante como uma forma de socialização de gênero e um mecanismo pelo qual a desigualdade de gênero é reproduzida. Uma abordagem do bullying focada na desigualdade privilegiaria o exame das interações, ao invés de qualidades individuais de agressores e vítimas; em vez de presumir um equilíbrio de poder entre iguais, investigaria as várias relações em que se dão tais interações agressivas, como as amizades; e estabeleceria um novo vocabulário do bullying para ser compreendido como um problema social que não está restrito a relações de pessoas jovens, mas reflete desigualdades estruturais bem mais amplas.

Biografia do Autor

Tálisson Melo de Souza, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ)
Doutorando no Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA), no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ). Membro do Núcleo de Pesquisa em Sociologia da Cultura (NUSC) da UFRJ.
Publicado
2018-07-23