O paradigma da dádiva e a possibilidade de sentido da arte como mercadoria: o caso THRILLER, de Michael Jackson

  • Virgínia Strack Universidade Federal de Juiz de Fora Instituto de Ciências Humanas Departamento de Ciências Sociais

Resumo

Ao carregar o objeto artístico de valor afetivo, o portador elimina qualquer possibilidade de equivalência na situação da troca. Nenhum valor em dinheiro seria capaz de “trocar” a experiência que o fã encontra no desfrute dos bens artísticos. A ideia de uma mercadoria cultural que não possui valor-de-uso, apenas valorde-troca, como sugeriu Adorno, pode-se ver desta forma invertida. Onde para o teórico há a mercantilização total, para o fã resiste o valor-de-uso da coisa artística. Trabalhar com a categoria talento é o mesmo que entender uma espécie de trabalho vivo. Está materializado na obra, mas é capaz de desencadear através dela, relações de vínculo, diferentemente das demais mercadorias que promoveriam a completa alienação – de produtores e consumidores. Os músicos são profissionais detentores de dom, que não se adquire e que em contrapartida é dedicado aos fãs em troca de remuneração e adoração. Este texto persegue o talento enquanto dádiva, uma espécie de fator inicial, sem o qual não haveria os “maiores de todos os tempos”. Acreditamos que uma análise das situações dos sujeitos envolvidos, aliada a uma reflexão teórica, seria capaz de elucidar um pouco mais a problemática sobre as relações entre arte, artista e sociedade e as representações desse tipo de atividade profissional na contemporaneidade. Para tanto, nos referimos à obra THRILLER, do músico americano Michael Jackson, discutindo de que forma um sucesso de vendas representa, sob o paradigma maussiano, a circulação do espírito da dádiva.
Publicado
2015-03-26