L’incoronazione di Poppea: a natureza do Império através do espelho da República

  • Raul Francisco Magalhães Universidade Federal de Juiz de Fora Instituto de Ciências Humanas Departamento de Ciências Sociais

Resumo

Partindo da ópera L’incoronazione di Poppea (A coroação de Popeia) de Claudio Monteverdi e Giovanni Busenello o presente texto discute de que forma essa obra pode ser entendida como um mito negativo do Estado, representado pela imagem do império. A história, que é por sua vez baseada em fontes históricas, conta um trecho da vida de Nero e de sua favorita Popeia. Para ficarem juntos eles têm de eliminar certas pessoas: a Imperatriz Otávia, o filósofo e conselheiro Sêneca, o ex-marido de Popeia, Otão e outros agregados. O argumento principal do texto é de que esse anti-mito do Estado foi construído em parceria com a platéia da República de Veneza em 1643, ou seja, somente os cidadãos de uma forma republicana de sociedade poderiam compreender essa obra como uma antítese da noção do Estado fundado na lei e nas virtudes cívicas. Em contrapartida o império é desenhado como o lugar dos desejos corrompidos dos membros do poder. Outros dois elementos centrais do argumento se desdobram - primeiramente na noção de que essa contemplação pela Republica do seu “outro”, o império, se realiza numa linguagem barroca, como um tipo de narração que opera por meio de tensões de opostos donde derivam resultantes. Em segundo lugar esse mito mobiliza vários tópicos da modernidade como a idéia de uma natureza humana movida por paixões que submetem a razão ao desejo, e a noção da esfera amorosa como uma escolha subjetiva. Dessa forma o texto tem condições de aproximar Poppea da obra de filósofos do século XVII, especialmente Hobbes e Espinosa.
Publicado
2015-03-26