Análise dos usos da construção [SÓ QUE X] em mídias digitais

implicações para o ensino de língua portuguesa

Autores

Palavras-chave:

A construção só que, Contraste, Linguística Funcional Centrada no Uso, Conector

Resumo

O artigo investiga os usos da construção contrastiva “só que X” no português brasileiro contemporâneo, com base em dados extraídos de mídias digitais, especificamente do YouTube (por meio da ferramenta YouGlish) e da Rede X. A análise é conduzida à luz da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), que se baseia nos princípios da Linguística Funcionalista Norte-Americana e nos pressupostos da Gramática de Construções. Essa corrente concebe a gramática como uma rede de construções emergentes do uso, moldadas pelo modo de nossa cognição social operar, pela frequência e pelas funções comunicativas. Os dados evidenciam que “só que X ” se configura como uma construção contrastiva multifuncional, cuja atuação ultrapassa a simples oposição proposicional, desempenhando papéis relevantes na atenuação do contraste, na quebra de expectativas e na gestão intersubjetiva da argumentação. Em comparação com conectores contrastivos mais prototípicos, como mas e porém, a construção “só que” apresenta maior flexibilidade pragmática e forte associação com registros informais e com a oralidade. Além da descrição dos usos, o artigo discute as implicações pedagógicas do estudo da construção “só que X”, em diálogo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Defende-se que o trabalho com construções frequentes do português brasileiro, a partir de dados reais de uso, contribui para o desenvolvimento da competência argumentativa e da consciência linguística e para a eliminação do preconceito linguístico com decorrente valorização da  variedade brasileira. Ao final, são apresentadas propostas de atividades didáticas voltadas para o Ensino Médio fundamentadas em uma abordagem de gramática baseada no uso.

 

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Biografia do Autor

Maria Maura Cezario, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Possui Graduação em Bacharelado e Licenciatura Em Português Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1989), Mestrado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994), Doutorado em Linguística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2001), Pós-doutorado na Universidade de Edimburgo, UK (2014) e na UFRN (2019-2020). É Professora Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atuou na Graduação em Letras até novembro de 2024. Trabalha na Pós-graduação em Linguística (Capes 6) como pesquisadora permanente..Tem experiência na área de Linguística, com ênfase em Teoria e Análise Linguística, atuando principalmente nos seguintes temas: construções oracionais adverbiais, ordenação de adverbiais temporais, modalização, mudanças construcionais, formação de construções sob a ótica da Linguística Funcional Centrada no Uso. Dá aulas na pós-graduação da Faculdade de Letras da UFRJ e coordena, em âmbito nacional, o Grupo de Estudos Discurso e Gramática. Foi Substituta Eventual da Coordenação do Programa de Pós-graduação em Linguística de 2022 a 2024. É bolsista de Produtividade 1D do CNPq e Cientista do Nosso Estado da Faperj (2023-2026). Realizou em novembro de 2023 Capacitação na Universidade de Neuchâtel e fez visita técnica de 10 dias à Universidad de Graz, em outubro de 2024, promovendo a internacionalização da ciência.

Maria Júlia Duarte Tavares Vieira, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Atualmente é licencianda em Letras Português e Inglês na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC/UFRJ). Faz parte do projeto de pesquisa orientado pela Prof Dr Maria Maura da Conceição Cezario Variação e mudança numa perspectiva construcional (subprojeto: Construções Concessivas, Causais e Condicionais) e integra a equipe de pesquisa do grupo Discurso Gramática (DG/UFRJ).

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Publicado

2026-09-11