Análise dos usos da construção [SÓ QUE X] em mídias digitais
implicações para o ensino de língua portuguesa
Palavras-chave:
A construção só que, Contraste, Linguística Funcional Centrada no Uso, ConectorResumo
O artigo investiga os usos da construção contrastiva “só que X” no português brasileiro contemporâneo, com base em dados extraídos de mídias digitais, especificamente do YouTube (por meio da ferramenta YouGlish) e da Rede X. A análise é conduzida à luz da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), que se baseia nos princípios da Linguística Funcionalista Norte-Americana e nos pressupostos da Gramática de Construções. Essa corrente concebe a gramática como uma rede de construções emergentes do uso, moldadas pelo modo de nossa cognição social operar, pela frequência e pelas funções comunicativas. Os dados evidenciam que “só que X ” se configura como uma construção contrastiva multifuncional, cuja atuação ultrapassa a simples oposição proposicional, desempenhando papéis relevantes na atenuação do contraste, na quebra de expectativas e na gestão intersubjetiva da argumentação. Em comparação com conectores contrastivos mais prototípicos, como mas e porém, a construção “só que” apresenta maior flexibilidade pragmática e forte associação com registros informais e com a oralidade. Além da descrição dos usos, o artigo discute as implicações pedagógicas do estudo da construção “só que X”, em diálogo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Defende-se que o trabalho com construções frequentes do português brasileiro, a partir de dados reais de uso, contribui para o desenvolvimento da competência argumentativa e da consciência linguística e para a eliminação do preconceito linguístico com decorrente valorização da variedade brasileira. Ao final, são apresentadas propostas de atividades didáticas voltadas para o Ensino Médio fundamentadas em uma abordagem de gramática baseada no uso.
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