Estética do limiar
a experiência da morte em O Idiota (1868) de Fiódor Dostoiévski
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.52999Palavras-chave:
Dostoiévski, O Idiota, Bakhtin, Limiar, MorteResumo
O presente artigo investiga a experiência de morte no romance O Idiota (1868) de Fiódor Dostoiévski, a partir de uma perspectiva bakhtiniana que enxerga uma estética do limiar em seus romances. Objetiva-se demonstrar como a iminência da morte estrutura a antropologia religiosa do autor, forçando uma reformulação da fé a partir de um cristianismo trágico e apofático. Metodologicamente, o estudo conjuga a fortuna crítica dostoievskiana (Frank, Guardini, Pareyson, Berdieav) com eixos conceituais como o limiar e o inacabamento em Bakhtin, a crise da kenosis e o tema do perdão em Kristeva e por fim, a responsabilidade infinita pelo outro em Lévinas. A análise percorre três momentos: a descrição da condenação, que estabelece no príncipe Míchkin a apreensão escatológica do tempo e uma lógica de compaixão; o anti-ícone do quadro do Cristo morto de Holbein, que encena a crise teológica moderna; e o confronto final entre niilismo e compaixão trágica entre as figuras de Hippolit e Míchkin. O artigo conclui que o aparente fracasso do príncipe não representa uma falência do ideal, mas a noção de um inacabamento do bem no mundo.
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