Ney Matogrosso: performance visual, corpo e gênero em “Fala” e “O Vira” na ditadura
DOI:
https://doi.org/10.34019/1981-4070.2026.v20.49745Palavras-chave:
musica, voz, corpo, comunicação, performance.Resumo
Este artigo analisa a performance vocal e corporal de Ney Matogrosso nas canções Fala e O Vira, lançadas em 1973 pelo grupo Secos & Molhados, no contexto da ditadura militar no Brasil (1964-1985). A pesquisa parte das noções de "performance vocal" (Napolitano, 2001; Reily, 2022; Maia; Stankiewicz, 2015; Schroeder, 2010) e "performance corporal e visual" (Domenici, 2013; Gonçalves, 2004; Berger, 1977), propondo uma leitura que articula música, corpo e política a partir dos estudos de gênero e mídia. A análise foca na subversão de normas de gênero e sexualidade expressa nos gestos, na presença cênica e na voz andrógina de Ney Matogrosso, cuja estética performática desafiou os padrões heteronormativos vigentes durante o regime autoritário. Além disso, também se analisam as canções a partir de sua letra, melodia e pelas performances corporais encenadas por Ney à época. A abordagem, além de outros intuitos, busca compreender como tais elementos performáticos se constituíram como formas de resistência simbólica e estética frente à repressão do período, revelando o potencial político das expressões artísticas. A proposta se insere em um campo interdisciplinar, entre artes, comunicação e ciências humanas, contribuindo para os debates sobre gênero, visibilidade dissidente e os limites da censura durante a ditadura militar brasileira.
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