Reconfigurações do Jornalismo Audiovisual: um estudo da cobertura do Fantástico sobre a pandemia da Covid-19

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/1981-4070.2021.v15.35300

Palavras-chave:

Jornalismo Audiovisual, Pandemia da Covid-19, Fantástico, Emoção, Telejornalismo

Resumo

A partir da Análise Televisual de 14 edições do Fantástico e entrevistas realizadas com profissionais que atuam no programa da Rede Globo de Televisão, este trabalho evidencia reconfigurações do jornalismo audiovisual articuladas à cobertura da pandemia da Covid-19. O estudo revela como as narrativas jornalísticas operaram a construção audiovisual da realidade, sob o negacionismo do governo federal no Brasil, e atribuíram significações à pandemia que ainda permeiam o imaginário social. O uso de imagens de profissionais e amadores captadas por videoconferências e dispositivos móveis e a exploração da emoção, abriram espaço para as subjetividades no telejornalismo. O testemunho de cidadãos anônimos e pessoas famosas ganhou protagonismo. Tais estratégias de aproximação com as audiências e de identificação com o outro virtualizaram afetos, geraram empatia e fomentaram solidariedade às vítimas da doença, aos seus familiares e às comunidades vulneráveis. Porém, as enunciações do Fantástico também acentuaram a relevância do jornalismo no combate às informações falsas. Essa nova forma de fazer reportagens e matérias, de representar a realidade e a população brasileira e de engajar os espectadores legitimou o poder do telejornalismo como ator relevante nas disputas políticas no país, sinalizando que a televisão ainda exerce centralidade do ambiente convergente e uma expressiva hibridização de gêneros discursivos, dispositivos, plataformas e telas na produção de notícias na atualidade. Os resultados também apontam a necessidade de alargar reflexões do campo do jornalismo sobre o engajamento do público com o conteúdo noticioso, destacando que a emoção ocupa espaço relevante nos relatos jornalísticos televisivos na contemporaneidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Metrics

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Beatriz Becker, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Professora Titular e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCOM/UFRJ).

Referências

BARBOSA, M. Meios de Comunicação: lugar de memória ou na história? Revista Contracampo, Niterói, v. 35, n. 1, p. 6-26, abr./jul. 2016. Disponível em: <https://periodicos.uff.br/contracampo/article/view/17558>. Acesso em: 18 mar. 2021.

BECKER, B. Jornal Nacional: estratégias e desafios no seu cinquentenário. Revista Alceu, Rio de Janeiro, v. 20, n. 40, p. 206-225, jan./jul. 2020. DOI: <https://doi.org/10.46391/ALCEU.v20.ed40.2020.54>.

BECKER, B. Televisão e Telejornalismo: Transições. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2016.

BECKER, B. Mídia e Jornalismo como formas de conhecimento: uma metodologia para leitura crítica das narrativas jornalísticas audiovisuais. Matrizes, São Paulo, v. 5, n. 2, p. 231-250, jan./jun. 2012. DOI: <https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v5i2p231-250>.

BECKER, B; MACHADO, H. L.; WALTZ, I.; TASSINARI, J. A centralidade do telejornal no ambiente midiático convergente: repensando como as interações entre produção e recepção atribuem sentidos aos Jogos Olímpicos 2016. Intercom - Revista Brasileira de Ciência da Comunicação, v. 41, n. 3, p. 71-86, set./dez. 2018. DOI: <https://doi.org/10.1590/1809-5844201834>.

BENETTI, M.; REGINATO, G. D. O vínculo emocional do leitor ao jornalismo: Estudo da revista Veja no Facebook. Famecos, Porto Alegre, v. 21, n. 3, p. 878-896, set./dez. 2014. DOI: <https://doi.org/10.15448/1980-3729.2014.3.17847>.

CAJAZEIRA, P. E.; SOUZA, J. J. G. O arquivamento da memória televisiva em plataformas de aplicativos digitais. Rumores, São Paulo, v. 28, n. 14, p. 200-222, 2020. DOI: <https://doi.org/10.11606/issn.1982-677X.rum.2020.166502>.

CARREGAL, R. Entrevista. [18.02.2021]. Entrevistador: BECKER, Beatriz. Rio de Janeiro, 2021.

CHIARA, L. Narrativas e disputa de sentidos na mídia televisiva contemporânea: quem foi a Marielle Franco dos telejornais? 2021. 158 f. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Faculdade de Comunicação Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021. Disponível em: <https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/16659>. Acesso em: 07 ago. 2021.

DIJCK, J.V; POELL, T.; WAAL, M. de. The Platform Society: Public Values in a Connective World. Nova York: Oxford University Press, 2018.

DA SILVA, M. P. Percepção de noticiabilidade em um contexto regional: Análise comparativa entre jornalistas, assessores de imprensa e leitores de Corumbá (MS). Famecos, Porto Alegre, v. 27, p. 1-15, nov. 2020. DOI: <https://doi.org/10.15448/1980-3729.2020.1.36718>.

FECHINE, Y. Televisão e presença: uma abordagem semiótica da transmissão direta. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2008.

GADRET, D. L. A Emoção no Telejornal: Um estudo de sentidos sobre os sujeitos e suas performances. In: ENCONTRO NACIONAL DOS PESQUISADORES EM JORNALISMO, 15, 2017, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: SBPJor, 2017, p. 1-18. Disponível em: <http://sbpjor.org.br/congresso/index.php/sbpjor/sbpjor2017/paper/viewFile/697/560>. Acesso em: 07 ago. 2021.

JAGUARIBE, B. O Choque do real: estética, mídia e cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

JORNALISTA 1. Entrevista. [10.02.2021]. Entrevistador: BECKER, Beatriz. Rio de Janeiro, 2021.

JORNALISTA 2. Entrevista. [10.02.2021]. Entrevistador: BECKER, Beatriz. Rio de Janeiro, 2021.

LA FERLA, J. Sobre a televisão: aparelho e formas culturais. Por um repertório notável de programas da televisão argentina. In: BORGES, G.; REIA-BAPTISTA, V. (orgs.). Discursos e práticas de qualidade na televisão. Lisboa: Livros Horizonte, 2008, p. 46-77.

MACHADO, A. A televisão levada a sério. 3. ed. São Paulo: SENAC, 2003.

MACHADO, A. Pré-cinema & pós-cinemas. 6. ed. Campinas: Papirus, 2011.

MARTINS, M. O. A ascensão de estratégias amadoras no telejornalismo profissional: uma nova visibilidade potencializada pelas limitações técnicas trazidas pela Covid-19. In: EMERIN, C.; PEREIRA, A.; COUTINHO, I. (orgs.) A (re)invenção do telejornalismo em tempo de pandemia. Florianópolis: Editora Insular, 2020, p. 99-114.

MORETZSOHN, S. D. Noticiar a dor: possibilidades e dificuldades do jornalismo na tragédia de Santa Maria. In: ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS, 22, 2013, Salvador. Anais [...]. Campinas: Galoá, 2013, p. 1-17. Disponível em: <https://proceedings.science/compos-2013/papers/noticiar-a-dor--possibilidades-e-dificuldades-do-jornalismo-na-tragedia-de-santa-maria>. Acesso em: 10 ago. 2021.

MUJICA, C.; GRASSAU, D.; BACHMANN, I.; HERRADA, N.; FLORES, P. M.; PUENTE, S. Percepciones de la audiencia respecto del uso del melodrama en notícias por televisión: entre el entusiasmo y el desprecio. Palabra Clave, v. 23, n. 4, p. 1-34, e2341, 2020. DOI: <https://doi.org/10.5294/pacla.2020.23.4.1>.

OROZCO, G. Televisão em busca de si mesma. In: CARLÓN, M.; FECHINE, Y. (eds.). O fim da televisão. Rio de Janeiro: Confraria do Vento, 2014, p. 96-113.

PALACIOS, M. Convergência e memória: jornalismo, contexto e história. Matrizes, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 37-50, 2010. DOI: <https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v4i1p37-50>.

SACRAMENTO, I. A era da testemunha: uma história do presente. Revista Brasileira de História da Mídia, São Paulo, v. 7, n. 1, p. 125-140, 2018. Disponível em: <https://revistas.ufpi.br/index.php/rbhm/article/view/7177/4282>. Acesso em: 18 mar. 2021.

SILVA, G. Imaginário Coletivo: estudos do sensível na teoria do jornalismo. Famecos, Porto Alegre, v. 17, n. 3, p. 244-252, 2010. DOI: <https://doi.org/10.15448/1980-3729.2010.3.7382>.

SODRÉ, M. As estratégias sensíveis: Afeto, mídia e política. Petrópolis: Vozes, 2006.

STAM, R. Introdução à Teoria do Cinema. 5. ed. Campinas: Papirus, 2013.

VIZEU, A.; CORREIA, J. C. A Construção do Real no Telejornalismo: do lugar de segurança ao lugar de referência. In: VIZEU, A. (org.). A sociedade do telejornalismo. Petrópolis: Vozes, 2008, p. 11-28.

XAVIER, I. O Discurso Cinematográfico: a opacidade e a transparência. 11. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2021.

WHAHL-JORGENSEN, K. An Emotional Turn in Journalism Studies? Digital Journalism, v. 8, n. 2, p.175-194, 2020. DOI: <https://doi.org/10.1080/21670811.2019.1697626>.

WILLIAMS, R. Televisão: tecnologia e forma cultural. São Paulo: Boitempo Editorial, 2016.

WOLTON. D. Internet, e depois? Uma teoria crítica das novas mídias. 2. ed. Porto Alegre: Sulinas, 2007.

Downloads

Publicado

2021-12-30

Como Citar

BECKER, B. Reconfigurações do Jornalismo Audiovisual: um estudo da cobertura do Fantástico sobre a pandemia da Covid-19. Lumina - Revista do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora, [S. l.], v. 15, n. 3, p. 6–22, 2021. DOI: 10.34019/1981-4070.2021.v15.35300. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/35300. Acesso em: 12 jan. 2026.

Edição

Seção

As telas da pandemia da Covid-19: desafios do Jornalismo e do Audiovisual