v. 26 n. 2 (2020): Dossiê - Patrimônio e Relações Internacionais
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Povo Desenvolvido é Povo Limpo: Propaganda e saúde no Brasil nos “anos de chumbo”

Keila Auxiliadora Carvalho
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
Publicado September 10, 2020
Palavras-chave
  • Ditadura,
  • Propaganda,
  • Desenvolvimento,
  • Saúde
Como Citar
Carvalho, Keila Auxiliadora. 2020. “Povo Desenvolvido é Povo Limpo: Propaganda E Saúde No Brasil Nos ‘anos De chumbo’”. Locus: Revista De História 26 (2), 434-58. https://periodicos.ufjf.br/index.php/locus/article/view/30287.

Resumo

O presente artigo tem como objetivo analisar a relação entre propaganda e saúde nos “anos de chumbo”, especificamente no ano de 1972 quando a ditadura encenava o ápice da repressão política no Brasil, sob o governo do general Emílio Garrastazu Médici. O foco da análise serão os três primeiros filmetes da campanha “Povo desenvolvido é povo limpo”, criada pelo publicitário Ruy Perotti Barbosa da Linxfilm e lançada pela Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP). A partir desses filmes será possível fazer reflexões sobre as relações entre ditadura e o campo da saúde, sobretudo, os aspectos de continuidade de certa concepção individualizante, que considera o sujeito como responsável pelo seu próprio bem estar. Com tal concepção, a AERP empreendeu uma campanha de higiene que, de modo mais amplo, funcionou
como propaganda de divulgação do projeto modernizador da ditadura civil-militar, pois, suprimiu a palavra saúde e atrelou os princípios de higiene à noção de desenvolvimento.

Referências

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