TIPOLOGIA PRODUTIVA E DINÂMICA TERRITORIAL DA INDÚSTRIA DE CERVEJAS ARTESANAIS NO NORDESTE BRASILEIRO:
uma abordagem multivariada
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-837X.2026.v16.51237Resumen
A indústria cervejeira brasileira enfrenta uma tensão entre a padronização global e o neolocalismo. No Nordeste, apesar da expansão de 1.520% entre 2010 e 2023, persiste uma lacuna acadêmica sobre suas dinâmicas estratégicas em comparação aos polos tradicionais do Sul e Sudeste. Este estudo analisa a localização industrial e o posicionamento de produto das cervejarias artesanais nos nove estados da região. Empregou-se abordagem quantitativa e exploratória, com dados de 74 empresas validados em 2025 via Receita Federal e plataformas digitais. Utilizou-se estatística descritiva, testes de correlação e análise multivariada de agrupamento (K-Means) para testar hipóteses e encontrar padrões. Os resultados revelam uma distribuição "arquipelágica" concentrada em hubs metropolitanos (72%), sem correlação significativa com o PIB ou população total, refutando hipóteses clássicas de localização. Identificou-se um índice de hibridização de 87,5%, indicando que a sobrevivência setorial depende da verticalização e venda direta (modelo brewpub/taproom) para contornar gargalos logísticos e a ausência de cadeia fria eficiente. A análise de clusters identificou três perfis: matrizes de escala voltadas ao giro (BA, MA, PE, PI), eixos de variedade gastronômica (CE, RN, PB) e polos de diferenciação sensorial (AL, SE). Conclui-se que o setor consolidou um modelo de "Indústria Invertida", operando como centro de serviços e hospitalidade. Enquanto estilos de entrada garantem a estabilidade financeira, a aposta em cervejas ácidas com ingredientes locais sinaliza a gênese de uma potencial nova "Escola Nordestina".




