“HÁ MUITAS PERNAS E POUCOS BRAÇOS”:
progresso e questões étnico-raciais no território mineiro em fins dos oitocentos
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-837X.2026.v16.45314Resumo
Nosso objetivo é contrapor duas Minas Gerais existentes nos discursos de políticos mineiros ao fim dos oitocentos. De um lado, a imagem desejada, em que o sonhado progresso seria metrificado pela velocidade. Sua sinfonia seria composta pelo sibilar das locomotivas, sotaques de imigrantes estrangeiros e pelo barulho do arado a sulcar a terra. Na outra vereda, a imagem presente era caracterizada por um acachapante arcaísmo cujo ritmo era registrado através de metáforas sobre lentidão, espera e sonolência. Sua melodia seria composta pelo marasmo de um território considerado repleto de ausências – de trilhos, maquinários, população laboriosa – e pelos cantos, danças, ritos e credos professados por indivíduos malquistos, como eram considerados os negros e indígenas, tachados de preguiçosos, ignorantes, desordeiros, afeitos ao ócio e à vadiagem.




