A redentora e o ex-escravizado

memória coletiva, representações dos negros e a construção da imagem da princesa Isabel.

Autores

  • Luan Pedretti de Castro Ferreira Universidade Federal de Juiz de Fora
  • Bianca Marlene da Silva Universidade Federal de Juiz de Fora

Palavras-chave:

memória; representação; Princesa Isabel; história pública; Juiz de Fora.

Resumo

O presente artigo se constitui através da análise de duas obras – sendo um busto e uma escultura, respectivamente: Busto à Princesa Isabel, produzida pelo escultor Humberto Cozzo e Ex-escravo louvando aos céus pela sua libertação, de Adauto Venturi. Sendo localizadas na cidade de Juiz de Fora, a primeira instalada no jardim do Museu Mariano Procópio e a segunda, em uma área urbana em frente ao Parque da Lajinha. Ambas trazem um elemento comum: a representação sobre pessoas negras escravizadas na região de Juiz de Fora no momento da abolição, construindo narrativas diferentes sobre o mesmo fato. Logo, a partir da análise destes monumentos, buscaremos compreender de que maneiras a imagem da princesa foi construída historicamente enquanto "redentora'' - e que reflexos acaba deixando no tempo presente na formação da memória pública da cidade. Não obstante, pretendemos também refletir sobre a representação de pessoas negras em uma cidade que concentra disputas de memórias sobre a participação de grupos étnicos na construção de si, no passado.

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Biografia do Autor

Bianca Marlene da Silva, Universidade Federal de Juiz de Fora

Professora de História licenciada em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF; 2019). Mestranda no Programa de Pós Graduação em História (UFJF) e Pós graduanda na Especialização em Relações de Gênero e Sexualidades: Perspectivas Interdisciplinares (UFJF). Pesquisadora do AFRIKAS - Grupo de Pesquisas em Estudos Africanos, também integra os grupos de estudos GENI - Estudos de Gênero e Interdisciplinaridade e GESED - Grupo de Estudos e Pesquisas em Gênero, Sexualidade, Educação e Diversidade. Foi bolsista do Projeto de Extensão Coletivo Marielle Franco: ações de combate à cultura de estupro no ambiente universitário (2019-2020); Iniciação Científica do projeto Que Educação para que país: uma análise das políticas educacionais sob o olhar da escola (2018); Monitoria em História da África (2017) e do Projeto de Extensão Memória e Patrimônio Artístico-Cultural das Comunidades Negras da Zona da Mata Mineira: Ações Integradas entre Comunidade, Poder Público e Universidade (2016). Integrou o Grupo de Estudo em Sistemas de Ensino - GESE (2018).

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Publicado

2022-05-30

Como Citar

(1)
Pedretti de Castro Ferreira, L.; Marlene da Silva, B. A Redentora E O Ex-Escravizado: Memória Coletiva, representações Dos Negros E a construção Da Imagem Da Princesa Isabel. FDC 2022, 8, 54-75.