Deus e o Diabo em Bacurau

Sertão como espaço de resistência e diálogo entre passado e presente em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Bacurau (2019)

  • Carlos Cesar de Lima Veras Doutorando em História Comparada no Programa de Pós-Graduação em História Comparada da UFRJ
Palavras-chave: cinema, Glauber Rocha, Bacurau

Resumo

Este artigo tem por objetivo realizar uma análise acerca dos usos da história em duas produções cinematográficas brasileiras: Deus e o Diabo na Terra do Sol, filme de 1964 dirigido por Glauber Rocha, e Bacurau, filme de 2019 dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Se no primeiro filme a percepção histórica é valorizada como recurso para uma eventual transformação do presente, no segundo a importância da história urge como recurso de defesa. Em ambos os casos, o passado exerce papel crucial nas narrativas e o conceito de experiência em Walter Benjamin nos auxilia para compreendermos tal dinâmica. Portanto, serão analisadas as dimensões nas quais elementos históricos são apresentados nos filmes, compreendendo sua funcionalidade como instrumento de luta/resistência nas representações de sertão e crises dos seus contextos de produção.

Referências

BARROS, José d’Assunção. Memória e história: uma discussão conceitual. Tempos Históricos, vol. 15, 1º semestre de 2011.

___________. Cinema e história: entre expressões e representações. In: NÓVOA, Jorge; BARROS, José d’Assunção (orgs.). Cinema – História: teorias e representações sociais no cinema. 2ª ed. Rio de Janeiro: Apicuri, 2012.

BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas – magia e técnica, arte e política. 3ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.

___________. Obras escolhidas – volume III - Charles Baudelaire: um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989.

DEBS, Sylvie. Cinema e literatura no Brasil - Os mitos do sertão: emergência de uma identidade nacional. 2ª ed. Belo Horizonte: C/Arte, 2010.

FRANÇA, Déborah G. C. Quem deu a ciranda a Lia?: a história das mil e uma Lias da ciranda (1960 – 1980). 203 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2011.

GERBER, Raquel. O mito da Civilização Atlântica: Glauber Rocha, cinema, política e estética do inconsciente. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1982. p. 180.

GORENDER, Jacob. Combate nas trevas – a esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. 2ª edição. São Paulo: Editora Ática, 1987.

HERMANN, Jacqueline. Religião e política no alvorecer da República: os movimentos de Juazeiro, Canudos e Contestado. In: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília A. N.. O Brasil Republicano – volume 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

KORNIS, Mônica A. Cinema, televisão e história. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

MAIA, Andrea Casa Nova; CARDOSO, Luciene Carris; SANTOS, Vicente Saul Moreira. Lições do tempo: temas em história e historiografia no Brasil Republicano. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2016.

MARQUES, Rosa Maria; XIMENES, Salomão Barros; UGINO, Camile Kimie. Governos Lula e Dilma em matéria de seguridade social e acesso à educação superior. Revista de Economia Política, vol. 38, nº 3 (152), pp. 526 – 547, julho-setembro/2018.

MORETTIN, Eduardo. O cinema como fonte história na obra de Marc Ferro. História: Questões & Debates, Curitiba, n. 38, p. 11-42, 2003. Editora UFPR.

NEMER, Sylvia. A função intertextual do cordel no cinema de Glauber Rocha. 222 f. Tese (Doutorado em Comunicação e Cultura) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.

PERICÁS, Luiz Bernardo. Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica. São Paulo: Boitempo, 2010.

RIDENTI, Marcelo. O fantasma da revolução brasileira. 2ª edição. São Paulo: UNESP, 2005.

ROCHA, Glauber. Revolução do Cinema Novo. Rio de Janeiro: Alhambra/ Embrafilme, 1981.

ROSENSTONE, Robert. A história nos filmes, os filmes na história. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

SINGER, André. O Lulismo em crise – um quebra-cabeça do período Dilma (2011-2016). São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

VERAS, Carlos C.L.. A violência pedagógica da fome – Deus e o Diabo na Terra do Sol e as relações entre história, cinema e experiência. Rio de Janeiro: Multifoco, 2019.

VIANY, Alex. O processo do Cinema Novo. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1999.

XAVIER, Ismail. Sertão Mar: Glauber Rocha e a estética da fome. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
Publicado
2020-12-15
Como Citar
(1)
Cesar de Lima Veras, C. Deus E O Diabo Em Bacurau: Sertão Como espaço De Resistência E diálogo Entre Passado E Presente Em Deus E O Diabo Na Terra Do Sol (1964) E Bacurau (2019). FDC 2020, 6, 57-74.