A EDUCAÇÃO NA PRIMEIRA REPÚBLICA NA OBRA DE JORGE NAGLE
Resumo
Este ensaio analisa as contribuições de Jorge Nagle para a compreensão da educação brasileira na Primeira República (1889-1930), tomando por base sua obra clássica na História Geral da Civilização Brasileira. O objetivo é examinar sua crítica às periodizações rígidas que defendem uma ruptura imediata entre Império e República, propondo, em seu lugar, a noção de "República dos Conselheiros", caracterizada pela continuidade de práticas sociais e educacionais do período anterior. O método consiste na análise interpretativa do texto de Nagle, complementada pela incorporação de críticas de Mirian Jorge Warde, que problematizam anacronismos e a naturalização de conceitos como "reforma". Como resultados, a análise identifica a discussão de Nagle sobre o ideário redentor da educação nos anos iniciais republicanos, o "entusiasmo pela educação" a partir de 1915 e o "otimismo pedagógico" dos anos 1920, assim como as limitações estruturais impostas pelo federalismo oligárquico e pela descentralização administrativa. A conclusão é que, apesar de suas limitações, a obra de Nagle permanece fundamental para a historiografia educacional brasileira, fornecendo categorias analíticas essenciais para refletir sobre as tensões entre continuidade e mudança no projeto republicano de educação.
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