CINDERELLA ENTRE A TRADIÇÃO E A CONTEMPORANIEDADE

DO CONTO DE PERRAULT AO DESENCATO DE ALINE DIAS

Autores

  • Jéssica de Mello Barretto UFES - Universidade Federal do Espírito Santo

DOI:

https://doi.org/10.34019/1983-8379.2026.v19.52317

Resumo

Este artigo investiga e compara três versões da figura emblemática de Cinderela, representativas de diferentes momentos históricos e concepções do feminino: Cendrillon ou La Petite Pantoufle de Verre, de Charles Perrault (1697); A gata borralheira ou Aschenputtel, dos Irmãos Grimm (1815); e a reescrita contemporânea Outro tempo de Cinderella, da escritora capixaba Aline Dias (2020). A metodologia adotada é a análise comparativa, fundamentada teoricamente no entendimento do conto de fadas como ferramenta cultural (Jack Zipes), no conceito de discurso e poder (Michel Foucault) e na crítica feminista da reescrita (Hélène Cixous, Adrienne Rich e Silvia Federici). A análise demonstra que a protagonista transita da submissão recompensadora nas versões clássicas para uma figura desencantada na contemporaneidade. Em Perrault, Cinderela é um modelo pedagógico de feminilidade aristocrática; nos Grimm, o tom sombrio e a moral cristã impõe castigo irreversível às antagonistas, reforçando o caráter disciplinar do gênero. Em contraste, a Cinderela de Aline Dias não busca um príncipe que a salve, mas constrói sua própria trajetória. Ao quebrar o sapatinho de cristal, escolhe o autoconhecimento e o amor-próprio, refletindo o conflito da mulher contemporânea entre o ideal romântico e sua autonomia.

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Publicado

2026-09-29

Como Citar

DE MELLO BARRETTO, Jéssica. CINDERELLA ENTRE A TRADIÇÃO E A CONTEMPORANIEDADE: DO CONTO DE PERRAULT AO DESENCATO DE ALINE DIAS. Revista Darandina, Juiz de Fora, v. 19, n. 1, p. e19109, 2026. DOI: 10.34019/1983-8379.2026.v19.52317. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/52317. Acesso em: 5 out. 2026.

Edição

Seção

Artigos - Fluxo contínuo