Amorosidade como princípio das práticas de saúde orientadas pela Educação Popular: um estudo bibliográfico

  • Pedro Cruz Departamento de Promoção da Saúde do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
  • Lucas Emmanuel Carvalho Residente da Residência de Medicina de Família e Comunidade do Departamento de Promoção da Saúde do Centro de Ciências Médicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
  • Renan Soares Araújo Graduando em Nutrição pelo Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Palavras-chave: Amor, Participação da Comunidade, Educação em Saúde, Assistência Integral à Saúde

Resumo

A amorosidade tem se expressado historicamente como um dos princípios constituintes das práticas de saúde orientadas pela perspectiva teórico-metodológica da Educação Popular (EP), figurando inclusive como um dos princípios da Política Nacional de Educação Popular em Saúde no Sistema Único de Saúde (PNEP-SUS). No entanto, existem ainda poucas sistematizações de experiências e aprofundamentos teóricos sobre esse princípio, seus caminhos, obstáculos e expressão na prática. Nesse contexto, o presente artigo se dedicou à explicitação de elementos constituintes da amorosidade. Para tanto, procedeu-se com um estudo bibliográfico com levantamento qualitativo da ocorrência das expressões amor e amorosidade em produções organizadas por coletivos nacionais de EP em Saúde e pelo Ministério da Saúde. Os resultados identificaram uma crescente utilização da amorosidade nessas publicações, particularmente no período após a aprovação da PNEP-SUS. A amorosidade fundamenta (do ponto de vista ético), delineia (do ponto de vista estético) e refina (do ponto de vista metodológico) a constituição de um agir crítico, compromissado e humanizador no trabalho em saúde, o qual é inspirado e mobilizado pelo amor. É capaz de contribuir para a superação de limites do fazer profissional, particularmente aqueles impostos pelo olhar tecnicista. Nas práticas à luz da amorosidade, desenvolve-se um espaço que tanto é terapêutico como de promoção de bem estar, por meio de abordagens caracterizadas pelo encontro intersubjetivo, pelo diálogo entre sujeitos, pela presença acolhedora, pela escuta autentica e por um processo de cuidado centrado no humano e suas complexidades. Chama-se atenção para a necessidade de novos estudos e para um aprofundamentos a respeito desse princípio nas práticas de saúde, dada sua relevância qualitativa no processo de compreensão e de construção de estratégias de promoção da saúde e de cuidado integral.

Publicado
2020-01-24
Seção
Artigos de Revisão