A invenção de Ostara
o culto moderno de Eostre e a disputa neopagã pela estética da Páscoa
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2025.v22.50771Palabras clave:
Ostara, Eostre, Neopaganismo, Religião Material, Invenção da tradiçãoResumen
Este artigo analisa a popularização do festival de Ostara no neopaganismo contemporâneo, investigando as funções sociorreligiosas de um mito moderno cuja narrativa êmica encontra eco em discursos midiáticos e acadêmicos. Propõe-se uma abordagem metodológica integrada, combinando a crítica histórica, a análise sociológica e a observação material das práticas religiosas, de modo a articular discurso, estrutura e experiência. O estudo baseia-se em uma análise comparativa de fontes históricas (Beda, Grimm) e êmicas (manuais wiccanos, vídeos do YouTube), ancorada na sociologia de Pierre Bourdieu e na teoria da religião material de Birgit Meyer. Os resultados demonstram que a narrativa de Ostara opera em dois níveis complementares. No plano discursivo, atua como estratégia de legitimação no campo religioso, invertendo a hierarquia simbólica com o cristianismo ao reivindicar a precedência pagã sobre a Páscoa. No plano prático, funciona como licença estética que possibilita a reapropriação sensorial dos símbolos pascais (ovos, coelhos), reinscrevendo-os em uma moldura devocional. Conclui-se que a eficácia e a popularidade de Ostara não derivam de sua veracidade histórica, mas de sua capacidade de produzir continuidade cultural, coesão estética e uma religiosidade vivida e material.
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