Das margens ao centro
Choi Ja-shil, protagonismo feminino e invisibilidade histórica na gênese das igrejas em células
DOI:
https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.52849Palavras-chave:
Choi Ja-shil, Igrejas em células, Protagonismo feminino, Gênero e religião, Memória eclesiásticaResumo
Este artigo analisa o protagonismo de Choi Ja-shil e das primeiras líderes na gênese das igrejas em células, problematizando a memória eclesiástica que consagrou David Yonggi Cho como principal formulador do sistema. A pesquisa pergunta como uma mulher que participou da fundação da comunidade, propôs a convocação feminina em 1964, coordenou as primeiras redes e produziu obras próprias tornou-se quase invisível na circulação internacional do modelo. Com abordagem qualitativa, articula revisão bibliográfica, leitura historiográfica e análise crítica do discurso, tomando Hallelujah Lady como fonte primária e dialogando com teólogas feministas asiáticas e latino-americanas, estudos sobre memória e história das mulheres e uma comparação controlada com a Reforma Protestante. Os resultados indicam que a liderança feminina foi condição de possibilidade do sistema celular, embora reconhecida sob estruturas de tutela masculina, visíveis na linguagem de “usar as mulheres” e no símbolo do chapéu. Demonstram ainda que o problema não é a inexistência da voz de Choi, mas sua recepção desigual: enquanto os escritos de Cho circularam como método e teoria eclesiológica, os de Choi foram mais facilmente confinados à devoção e ao testemunho. Conclui-se que recolocar Choi no centro altera a distribuição da autoria histórica e amplia o debate sobre gênero, autoridade e memória no cristianismo contemporâneo.
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