Histeria: do misticismo à prática clínica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-1247.2026.v20.47263

Palavras-chave:

Histeria, História da Neurologia, Psicanálise

Resumo

Fenômenos inseridos no quadro clínico da histeria pela medicina do século XIX já se encontravam descritos desde a Antiguidade. Durante a Idade Média, essa sintomatologia esteve ligada à bruxaria, e sua cura era atribuída a milagres. Entre o fim do século XIX e o início do século XX, fenômenos como êxtases e possessões passaram a integrar o quadro clínico da histeria. O principal representante desse avanço foi o neurologista Jean-Martin Charcot, responsável por sistematizar os sintomas histéricos em um quadro clínico denominado “Grande ataque histérico”. Historiadores da ciência afirmam que, por trás do interesse científico de Charcot e de seus colaboradores, havia interesses políticos ligados ao movimento anticlerical. O presente artigo busca apresentar o contexto histórico, político e científico acerca da história da histeria a partir do século XIX, por meio da apresentação e discussão de três casos clínicos publicados entre os séculos XIX e XX por médicos ligados ao círculo de Charcot. Busca-se entender o modo como a histeria foi compreendida na época, bem como os avanços e limitações das produções científicas da escola charcotiana, que tiveram o mérito de abrir caminhos para uma clínica psicanalítica das neuroses histéricas.

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Publicado

2026-08-20