Transtornos Mentais Comuns entre Trabalhadores do Sistema Prisional

  • Ana Izabel Lima Universidade Potiguar - UNP
  • Magda Dimenstein Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN

Resumo

Investigou-se a incidência de Transtorno Mental Comum entre agentes vinculados às instituições prisionais do Rio Grande do Norte. Dos 903 agentes, 403 responderam ao SRQ-20 (Self-Reporting Questionnaire) representando 19 unidades prisionais de um total de 33. Os resultados indicam incidência de 23,57% de casos suspeitos. Como determinantes aponta-se: o tipo de unidade prisional, estar relacionamento estável, possuir outra ocupação, essa ocupação ser na área de segurança, ter mais 10 anos de profissão e dobrar de turno mais de uma vez no último mês. Destaca-se a relação entre vulnerabilidade, saúde mental e trabalho. Tal articulação deve ser compreendida para além do discurso biomédico, incorporando outros saberes ligados aos sujeitos que são afetados pelo sofrimento.

Biografia do Autor

Ana Izabel Lima, Universidade Potiguar - UNP
Doutora em Psicologia pela UFRN. Professora do curso de Psicologia da UNP
Magda Dimenstein, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
Profa. Titular do Depto. de Psicologia da UFRN

Referências

Alves, V. (2009). Condições de trabalho de funcionários penitenciários de Avaré-SP e ocorrência de transtornos mentais comuns (Dissertação de Mestrado, Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, São Paulo).
Anchieta, V. C. C., Galinkin, A. L., Mendes, A. M. B., & Neiva, E. R. (2011). Trabalho e riscos de adoecimento: um estudo entre policiais civis. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 27(2), 199-208. https://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722011000200007
Assunção, A. Á., & Silva, L. S. (2013). Condições de trabalho nos ônibus e os transtornos mentais comuns em motoristas e cobradores: Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 2012. Cadernos de Saúde Pública,29(12), 2473-2486. https://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00181412
Ayres, J. R. C. M. et al. (2003). O conceito de Vulnerabilidade e as práticas de saúde: novas perspectivas e desafios. In D. Czeresnia, C. M. Freitas (Orgs.), Promoção da Saúde: conceitos, reflexões, tendências (pp. 39-53). Rio de Janeiro: Ed Fiocruz.
Brasil. (2015). Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias – INFOPEN. Departamento Penitenciário Federal. Brasília: Ministério da Justiça. Recuperado em http://www.justica.gov.br/noticias/mj-divulgara-novo-relatorio-do-infopen-nesta-terca-feira/relatorio-depen-versao-web.pdf. Acesso em: 01 de dezembro de 2015.
Brasil. (2014). I Boletim Quadrimestral sobre benefícios por Incapacidade. Brasília: Secretaria de Políticas da Previdência Social. Recuperado em 02 de agosto de 2015, de http://www.previdencia.gov.br/wp-content/uploads/2014/04/I-Boletim-Quadrimestral-de-Benef%C3%ADcios-por-Incapacidade1.pdf
Codo, W. (2002). Um diagnóstico integrado do trabalho com ênfase em saúde mental. In. M. G. Jacques, & W. Codo (2002). Saúde Mental & Trabalho: Leituras. (pp.173-192) Petrópolis: Vozes.
Creswell, J. W. (2007). Projeto de Pesquisa: método qualitativo, quantitativo e misto. (2ª. ed.). Porto Alegre: Artmed/Bookman.
Fernandes, R. C. P., Neto, A. M. S., Sena, G. M., Leal, A. S., Carneiro, C. A. P., & Costa, F. P. M. (2002). Trabalho e cárcere: um estudo com agentes penitenciários da Região Metropolitana de Salvador, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18 (3), 807-816. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2002000300029
Ferreira Neto, J. L. (2004). Processos de subjetivação e novos arranjos urbanos. Recuperado em 05 de dezembro de 2016, de http://www.ichf.uff.br/publicacoes/revista-psi-artigos/2004-1-Cap7.pdf
Gama, C. A. P., Campos, R. T. O., & Ferrer, A. L. (2014). Saúde mental e vulnerabilidade social: a direção do tratamento. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 17(1), 69-84. https://dx.doi.org/10.1590/S1415-47142014000100006
Gaulejac, V. (2001). Psicossociologia e sociologia clínica. In J. N. G. Araújo & T. C. Carreteiro (Orgs.), Cenários sociais e abordagem clínica. São Paulo: Escuta.
Goldberg, D. & Huxley, P. (1992). Common mental disorders: a bio-social model. London; New York: Tavistock; Routledge.
Gonçalves, D. M.; Stein A. T., & Kapczinski F. (2008). Performance of the Self-Reporting Questionnaire as a psychiatric screening questionnaire: a comparative study with Structured Clinical Interview for DSM-IV-TR. Cad Saúde Pública; 24(2), 380-90.
Jardim, S. R.; Ramos, A., & Glina, D. M. R. (2014). Diagnóstico e Nexo com o trabalho. In. D. M. R. Glina & L. E. Rocha (2014). Saúde mental no trabalho: da teoria à prática. (pp.49-80). São Paulo: Roca.
Lancman, S., & Jardim, T.A. (2004). O impacto da organização do trabalho na saúde mental: um estudo em psicodinâmica do trabalho. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, 15(2), 84-96.
Lhuilier, D. (2014). Introdução à psicossociologia do trabalho. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 17(spe), 5-20. https://dx.doi.org/10.11606/issn.1981-0490.v17ispe1p5-19
Lopes, R. (2007). Psicologia Jurídica o cotidiano da violência: o trabalho do agente de segurança penitenciária nas instituições prisionais. Psicol. Am. Lat., 0, 1-8.
Lourenço, A. S. (2010). O espaço de vida do Agente de Segurança Penitenciária no cárcere: entre gaiolas, ratoeiras e aquários. (Tese de doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo).
Lucchese, R., Sousa, K, Bonfin, S., Vera., & Santana, F. R. (2014). Prevalência de transtorno mental comum na atenção primária. Acta Paulista de Enfermagem, 27(3), 200-207. https://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201400035
Nieuwenhuijsen K., Verbeek, J. H., de Boer, A. G., Blonk, R. W., & Van Dijk FJ. (2006). Predicting the duration of sickness absence for patients with common mental disorders in occupational health care. Scand J Work Environ Health. 32(1), 67-74.
Razzouk, D., Lima, M. G. A., & Cordeiro, Q. (2016). Saúde Mental e Trabalho. São Paulo: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.
Rodrigues, E. P., Rodrigues, U. S., Oliveira, L. M. M., Laudano, R. C. S., & Sobrinho, C. L. Na. (2014). Prevalência de transtornos mentais comuns em trabalhadores de enfermagem em um hospital da Bahia. Revista Brasileira de Enfermagem, 67(2), 296-301.doi: https://dx.doi.org/10.5935/0034-7167.20140040
Santos, D. C., Dias, J. S., Pereira, M. B. M., Moreira, T. A., Barros, D. M., & Serafim, A. P. (2010). Prevalência de transtornos mentais comuns em agentes penitenciários. Rev. Bras. Med. Trab. São Paulo, 8 (1), 33-38.
Seligmann‐Silva, E. (2011). Trabalho e desgaste mental: o direito de ser dono de si mesmo. São Paulo: Cortez.
Silva Junior, J. S., & Fischer, F. M. (2014). Adoecimento mental incapacitante: benefícios previdenciários no Brasil entre 2008-2011. Revista de Saúde Pública, 48(1), 186-190. doi: https://dx.doi.org/10.1590/S0034-8910.2014048004802
Souza, J. C., & Rumin, C. R. (2013). O serviço de atenção à saúde mental aos trabalhadores do sistema prisional. Revista Transformações. Disponível em: http://www.ip.usp.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1923:v3n1a05-o-servico-de-atencao-a-saude-menta-aos-trabalhadores-do-sistema-prisional&catid=340&Itemid=91 Acesso em 12/04/2016
Vasconcelos, A. S. F. (2000). A saúde sob custódia: um estudo sobre Agentes de Segurança Penitenciária no Rio de Janeiro (Dissertação de mestrado, Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro).
World Health Organization/WHO. (1994). Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20): development, reliability and feasibility. Addiction. 2283-94.
Publicado
2019-05-28