Especificidades do tratamento de mulheres usuárias de crack: interface com direitos humanos

  • Jéssica Limberger Limberger Universidade do Vale do Rio dos Sinos (São Leopoldo), Brasil
  • Jaluza Aimèe Schneider Universidade do Vale do Rio dos Sinos (São Leopoldo), Brasil
  • Ilana Andretta Universidade do Vale do Rio dos Sinos (São Leopoldo), Brasil

Resumo

O consumo de crack por mulheres é um problema de política pública cujo tratamento envolve desafios. Objetivou-se descrever as especificidades do tratamento de mulheres usuárias de crack, discutindo sua interface com os direitos humanos. Trata-se de um estudo quantitativo e descritivo com 36 mulheres em tratamento hospitalar por uso de crack que responderam a uma entrevista semiestruturada. Foi identificada predominância de mulheres solteiras, negras, de escolaridade e classe econômica baixa e que já eram mães. A falta de motivação e o preconceito dificultaram a procura por tratamento.
Dentre os principais motivadores, destacou-se a possibilidade de se aproximar do filho, sendo esta uma reflexão a ser discutida. Portanto, enfatiza-se a importância de políticas públicas e tratamentos que contemplem as especificidades das mulheres, oportunizando o direito de saúde qualificada. 

Referências

Alves, J. A. (2014). On Mules and Bodies:
Black Captivities in the Brazilian Racial
Democracy. Critical Sociology, 42(2), 229-248.
doi:10.1177/0896920514536590.
American Psychiatric Association (APA). (2014).
Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais. DSM-5 (5. ed.). Porto Alegre: Artmed.
Bastos, F. I., & Bertoni, N. (Orgs.). (2014). Pesquisa
Nacional sobre o uso de crack: quem são os usuários
de crack e/ou similares do Brasil? Quantos são
nas capitais brasileiras? Rio de Janeiro: ICICT/
FIOCRUZ. Recuperado de http://www.icict.
fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/
Pesquisa%20Nacional%20sobre%20o%20
Uso%20de%20Crack.pdf
Brasil. Presidência da República. Lei nº 10.683, de 28
de maio de 2003. Dispõe sobre a organização da
Presidência da República e dos Ministérios, e dá
outras providências. Recuperado de http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.683.htmBungay, V., Johnson, J. L., Varcoe, C., & Boyd, S.
(2010). Women’s health and use of crack cocaine
in context: Structural and ‘everyday’ violence.
International Journal of Drug Policy, 21(4), 321-
329. doi:10.1016/j.drugpo.2009.12.008.
Correa, N. A. B., Matumoto, F. H., & Lonardoni, M.
V. C. (2008). Doenças sexualmente transmissíveis
em mulheres profissionais do sexo, Umuarama,
Estado do Paraná. Revista Brasileira de AnálisesClínicas, 40(3), 209-213. Recuperado de http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/
?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=
LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch
=541906&indexSearch=ID
Costa, G. M., Soibelman, M., Zanchet, D. L., Costa,
P. M., & Salgado, C. A. I. (2012). Pregnant crack
addicts in a psychiatric unit. Jornal Brasileiro de
Psiquiatria, 61(1), 8-12. doi:10.1590/S0047-
20852012000100003.
Cruz, V. D., Oliveira, M. M. de, Pinho, L. B. de,
Coimbra, V. C. C., Kantorski, L. P., & de Oliveira,
J. F. de. (2014). Condições sociodemográficas
e padrões de consumo de crack entre mulheres.
Texto & Contexto Enfermagem, 23(4), 1068-1076.
doi:10.1590/0104-07072014000580013.
Diehl, A., Cordeiro, D. C., & Laranjeira, R. (2011).
Dependência Química: prevenção, tratamento e
políticas públicas. Porto Alegre: Artmed.
Duailibi, L. B., Ribeiro, M., & Laranjeira, R. (2008).
Perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil.Cadernos de Saúde Pública, 24(Supl. 4), s545-s557.
doi:10.1590/S0102-311X2008001600007.
Fischer, B., Blanken, P., Da Silveira, D., Gallassi, A.,
Goldner, E. M., Rehm, J., ...Wood, E. (2015).
Effectiveness of secondary prevention and
treatment interventions for crack-cocaine abuse:
A comprehensive narrative overview of Englishlanguage
studies. International Journal of Drug
Policy, 26(4), 352-363. Recuperado de http://
dx.doi.org/10.1016/j.drugpo.2015.01.002
Gabatz, R. I. B., Schmidt, A. L., Terra, M. G., Padoin,
S. M. M., Silva, A. A., & Lacchini, A. J. B. (2013).
Perception of crack users in relation to use and
treatment. Revista Gaúcha de Enfermagem, 34(1),
140-146. Recuperado de http://www.scielo.br/
pdf/rgenf/v34n1/en_18.pdf
Gelbcke, F. L., & Padilha, M. I. C. S. (2004). O
fenômeno das drogas no contexto da promoção
da saúde. Texto & Contexto Enfermagem, 13(2),
272-279.Greenfield, S. F., Brooks, A. J., Gordon, S. M.,
Green, C. A., Kropp, F., McHugh, R. K., …Miele,
G. M. (2007). Substance abuse treatment entry,
retention, and outcome in women: a review of
the literature. Drug & Alcohol Dependence, 86(1),
1-21. doi:10.1016/j.drugalcdep.2006.05.012.
Grella, C. E. (2007). Substance abuse treatment services
for women: a review of policy initiatives and recent
research. Los Angeles: California Department of
Alcohol and Drug Programs.Guimarães, C. F., Santos, D. V. V., Freitas, R. C., &
Araujo, R. B. (2008). Perfil do usuário de crack e
fatores relacionados à criminalidade em unidade
de internação para desintoxicação no Hospital
Psiquiátrico São Pedro de Porto Alegre (RS). Revista
de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 30(2), 101-
108. doi:10.1590/S0101-81082008000300005.
Kassada, D. S., Marcon, S. S., & Waidman, M. A. P.
(2014). Percepções e práticas de gestantes atendidas
na atenção primária frente ao uso de drogas. Escola
Anna Nery Revista de Enfermagem, 18(3), 428-434.
doi:10.5935/1414-8145.20140061.
Kuri, S. E. R., Alcaráz, A. J. C., & Cáceres, M. C.
F. (2015). Estudio comparativo del proceso de
inserción social en hombres y mujeres usuarios de
drogas en rehabilitación. Health and Addictions/
Salud y Drogas, 15(1), 49-54. Recuperado de
http://www.haaj.org/index.php/haaj/article/
view/222Laranjeira, R., Madruga, C. S., Pinsky, I., Caetano,
R., Ribeiro, M., & Mitsuhiro, S. (2012). II
Levantamento Nacional de Álcool e Drogas
(LENAD). São Paulo: INPAD.
Libâneo, J. C. (2012). O dualismo perverso da escola
pública brasileira: escola do conhecimento para os
ricos, escola do acolhimento social para os pobres.
Educação e Pesquisa, 38(1), 13-28. Recuperado de
http://www.scielo.br/pdf/ep/v38n1/aop323.pdf
Limberger, J., Andretta, I. (2015). Novas problemáticas
sociais: o uso do crack em mulheres e a perspectiva
de gênero. CS, (15), 41-65. Recuperado de http://
www.scielo.org.co/pdf/recs/n15/n15a03.pdf
Limberger, J., Nascimento, R. S., Schneider, J.
A., & Andretta, I. (2016). Women users of
crack: systematic review of Brazilian literature.
Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 65(1), 82-88.
doi:10.1590/0047-2085000000107.
Lopes, F., Buchalla, C. M., & Ayres, J. R. C.
M. (2007). Mulheres negras e não-negras e
vulnerabilidade ao HIV/Aids no estado de São
Paulo, Brasil. Revista de Saúde Pública, 41(Supl.
2), 39-46. Recuperado de http://www.revistas.uspbr/rsp/article/viewFile/32362/34555
Malta, M., Monteiro, S., Lima, R. M. J., Bauken,
S., Marco, A., Zuim, G. C., ...Strathdee, S. A.
(2008). HIV/AIDS risk among female sex workers
who use crack in Southern Brazil. Revista de Saúde
Pública, 42(5), 830-837. doi:10.1590/S0034-
89102008000500007.
Marangoni, S. R., & Oliveira, M. L. F. (2013). Fatores
desencadeantes do uso de drogas de abuso emmulheres. Texto & Contexto Enfermagem, 22(3),
662-670. Recuperado de http://www.scielo.br/
pdf/tce/v22n3/v22n3a12
Milligan, K., Niccols, A., Sword, W., Thabane,
L., Henderson, J., Smith, A., & Liu, J. (2010).
Maternal substance use and integrated treatment
programs for women with substance abuse issues
and their children: a meta-analysis. Substance
abuse treatment, prevention, and policy, 5, 21.
doi:10.1186/1747-597X-5-21.
Nappo, S. A., Sanchez, Z., Oliveira, L. G. (2011).
Crack, AIDS, and women in São Paulo, Brazil.
Substance Use & Misuse, 46(4), 476-485. doi:10.3
109/10826084.2010.503480.
Oliveira, J. F., Nascimento, E. R., & Paiva, M.
S. (2007). Especificidades de usuários(as) de
drogas visando uma assistência baseada na
heterogeneidade. Escola Anna Nery Revista de
Enfermagem, 11(4), 694-698. Recuperado de
http://www.scielo.br/pdf/ean/v11n4/v11n4a22
Oliveira, J. F., Paiva, M. S., & Valente, C. M. L.
(2007). A interferência do contexto assistencial navisibilidade do consumo de drogas por mulheres.
Revista Latino-americana de Enfermagem. 15(2),
247-252. Recuperado de http://www.scielo.br/
pdf/rlae/v15n2/pt_v15n2a09.pdf
Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (2014). Educação para todos.
Recuperado de http://www.unesco.org/new/pt/
brasilia/education/education-for-all/
Orsi, M. M., Kessler, F., Pechansky, F., Araújo, R.,
Oliveira, M. S., & Souza, A. C. (2004). Características
do uso de cocaína em indivíduos internados em
unidades de tratamento de Porto Alegre, RS. Jornal
Brasileiro de Psiquiatria, 53(6), 351-358.
Palamar, J. J., Davies, S., Ompad, D. C., Cleland, C.M., & Weitzman, M. (2015). Powder cocaine and
crack use in the United States: An examination
of risk for arrest and socioeconomic disparities in
use. Drug and Alcohol Dependence, 149, 108-116.
doi:10.1016/j.drugalcdep.2015.01.029.
Paula, M. L., Jorge, M. S. B., Vasconcelos, M. G. F., &
Albuquerque, R. A. (2014). Assistência ao usuário
de drogas na atenção primária à saúde. Psicologia
em Estudo, 19(2), 223-233. doi:10.1590/1413-
737222025006.
Pedroso, R. S., Kessler, F., & Pechansky, F. (2013).
Treatment of female and male inpatient crack
users: a qualitative study. Trends in Psychiatry andPsychotherapy, 35(1), 36-45. Recuperado de http://
www.scielo.br/pdf/trends/v35n1/a05v35n1.pdfPedroso, D. T. (2013). Girls on Crack: the Use and the
Dependence Vulnerabilities. Revista de Psicologia
da IMED, 5(2), 126-132. Recuperado de https://
seer.imed.edu.br/index.php/revistapsico/article/
view/431
Pinto, V. M., Tancredi, M. V., Buchalla, C. M., &
Miranda, A. E. (2014). History of syphilis in
women living with AIDS and associated risk factors
in São Paulo, Brazil. Revista da Associação Médica
Brasileira, 60(4), 342-348. doi:10.1590/1806-
9282.60.04.013.
Piovesan, F. (2005). Ações afirmativas da perspectiva
dos direitos humanos. Cadernos de pesquisa,
35(124), 43-55.
Renner, F. W., Gottfried, J. A., & Welter, K. C.
(2012). Repercussões neonatais do uso materno de
crack. Boletim Científico de Pediatria, 1(2), 63-66.
Recuperado de http://www.sprs.com.br/sprs2013/
bancoimg/131210145808bcped_12_02_06.pdf
Ribeiro, M. & Laranjeira, R. (Orgs.). (2012). Otratamento do usuário de crack (2a. ed.). Porto
Alegre: Artmed.
Romanini, M., & Roso, A. (2013). Midiatização da
cultura, criminalização e patologização dos usuários
de crack: discursos e políticas. Temas em Psicologia,
21(2), 483-497. doi:10.9788/TP2013.2-14.
Sampieri, R. H., Collado, C. F. & Lucio, M. P. B.
(2013). Metodologia de Pesquisa. Porto Alegre:
Artmed.
Seleghim, M. R., & Oliveira, M. L. F. (2013). Influência
do ambiente familiar no consumo de crack em
usuários. Acta Paulista de Enfermagem, 26(3), 263-
268. doi:10.1590/S0103-21002013000300010.
Silva, E. B. O., & Pereira, A. L. F. (2015). Perfil das
mulheres usuárias de cocaína e crack atendidas
em Centro de Atenção Psicossocial. Revista
Enfermagem UERJ, 23(2), 203-209. doi:10.12957/
reuerj.2015.13997.
Souza, M. R. R., Oliveira, J. F., & Nascimento, E.
R. (2014). A saúde de mulheres e o fenômeno das
drogas em revistas brasileiras. Texto & Contexto
Enfermagem. 23(1), 92-100. Recuperado de http://www.redalyc.org/pdf/714/71430666011.pdf
Spronk, D. B., Van Wel, J. H., Ramaekers, J. G., &
Verkes, R. J. (2013). Characterizing the cognitive
effects of cocaine: a comprehensive review.
Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 37(8), 1838-
1859. doi:10.1016/j.neubiorev.2013.07.003.
Trindade, A. A. C. (2009). O Legado da Declaração
Universal dos Direitos Humanos e sua Trajetória
ao Longo das Seis Últimas Décadas (1948-2008).In: Giovannetti, A. (Org.). 60 anos da Declaração
Universal dos Direitos Humanos: conquistas do
Brasil. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão.
Von Diemen, L., De Boni, R., Kessler, F., Benzano, D.,
& Pechansky, F. (2010). Risk behaviors for HCVand
HIV-seroprevalence among female crack users
in Porto Alegre, Brazil. Archives of Women’s Mental
Health, 13(3), 185-191. doi:10.1007/s00737-
009-0089-y.
Publicado
2016-10-25
Seção
Artigos