Mahmundi e a cidade: espacialidades, sonoridades e textualidades acústicas
DOI:
https://doi.org/10.34019/1981-4070.2025.v19.50196Palabras clave:
Música, Cidade, Espaço, Textualidade, MahmundiResumen
A música é um dispositivo mediador das sensibilidades e tessituras da realidade em suas textualidades, performatividades e sonoridades. De sua conjuntura, desprendem-se elementos recombinantes do real capazes de erigir – nos recônditos intra e intersubjetivos – paisagens do eu, mediadas de paisagens sonoras, por sua vez, deflagradas em paisagens de um cotidiano-imagem. Reflete-se aqui as textualidades que produzem paisagens sonoras no álbum auto-intitulado de 2016 da cantora carioca Mahmundi, considerando os percursos que suas musicalidades e mediações produzem como um dispositivo que (re)combina som e música às paisagens do eu e do cotidiano. Seu pano de fundo e cenário é a cidade do Rio de Janeiro/RJ, mas se expande podendo designar na recepção qualquer outra cidade em diversidade. Em Mahmundi (2016), buscou-se reconstituir a paisagem sonora na categoria do espaço idílico da cidade e suas paixões. O percurso metodológico apoia-se na análise da paisagem sonora adaptadas dos pressupostos de Schafer (2001) e Vaz, Mello Vianna e Santos (2018) que consideram tipo, qualidade, papel, estratégia, materialidade, visualidade, sentidos e representações dos sons e sua paisagem, tendo por corpus o álbum em questão. Nas canções e na sociabilidade musical, há um empuxo de materializar, plasmar e fixar sentidos fugidios e vertiginosos do cotidiano ou da produção de si no cotidiano sonorizado. As textualidades – e sociabilidades – construídas na experiência de consumo do produto artístico são derivadas da música como dispositivo mediador da realidade feita manufatura sensível. O sujeito, em suas partes, se encontra inteiro – ainda que provisoriamente – no todo musical, no todo real e no todo de si, como Mahmundi (2016) canta e faz ouvir.
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