Boys will be boys...: o momento musical como espetáculo de masculinidades dissidentes
DOI:
https://doi.org/10.34019/1981-4070.2025.v19.49711Palavras-chave:
gênero musical, momento musical, masculinidade, afeto e performance, cinema clássico hollywoodianoResumo
O presente texto investiga de que maneira o gênero musical, no interior do cinema clássico hollywoodiano, pode operar como território de encenação de masculinidades dissidentes. A partir do conceito de momento musical em Herzog (2010), com aportes de Laing (2000), Del Río (2008), Cohan (2002) e Neale (1993), propõe-se uma análise do filme Sinfonia de Paris (1951), com foco no corpo e na performance de Gene Kelly. Longe de se restringir à narrativa romântica heterossexual do filme, o momento musical instaura uma lógica espaçotemporal própria, em que o corpo masculino que canta e dança se converte em espetáculo visual, atravessado por afetos que escapam à masculinidade hegemônica. Argumenta-se que é precisamente a música — em sua potência coreográfica, expressiva e sensorial — que cria as condições para a irrupção de um espetáculo de masculinidade disruptiva, insinuando outras formas de ser, de desejar e de aparecer em cena. Por fim, sugere-se que o musical hollywoodiano clássico, ainda que sustentado por narrativas normativas e cis heterossexuais, abriga tensões e ambivalências que, justamente pela música, permitem que o corpo masculino performe para além das prescrições do discurso hegemônico.
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Referências
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