Publicidade brasileira em foco: uma análise das diretrizes sobre a retratação de mulheres

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/1981-4070.2023.v17.38965

Palavras-chave:

Publicidade brasileira, Estudos de Gênero, Representação, Análise documental, Estudos Culturais

Resumo

Ao retratar figuras humanas, a publicidade reforça significados que são mobilizados na formação de identidades e nos processos de interpretação realizados nas interações sociais. Focalizando esse entendimento, teóricas feministas criticam os modelos criados a partir de imagens sobre mulheres difundidas nos meios de comunicação. Para contribuir com esta discussão, este artigo objetiva identificar como entidades do setor publicitário versam sobre os modos de retratar mulheres em campanhas publicitárias veiculadas na televisão aberta no Brasil. A hipótese considera que o setor publicitário brasileiro aborda de forma universalista os modos de retratar figuras humanas em conteúdos veiculados no país, ou seja, sem tratar das especificidades de gênero, de raça, de classe, de sexualidade etc. Para a investigação, foi realizada uma análise qualitativa, à luz dos Estudos Culturais e das Teorias Feministas, de documentos do setor publicitário que dissertam sobre a regulamentação, a conduta profissional e a produção de conteúdos no país. Os resultados validam a hipótese e demonstram que é intencional a falta de orientações que abordem retratações feitas com base em marcadores sociais, pois abre espaço para diferentes modos de retratar as mulheres, inclusive imagens que colaborem com a perpetuação de um cenário de violências sociais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Beatriz Molari, Universidade Estadual de Londrina

Doutora em Sociologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. Código de Ética: outubro de 1957. São Paulo: ABAP, 1957. Disponível em: <https://bit.ly/3RarRx5>. Acesso em: 16 nov. 2023.

ASSOCIAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE PROPAGANDA. Código de Ética dos Profissionais de Propaganda: abril de 2014. São Paulo: APP, 2014. Disponível em: <https://bit.ly/3tmO2sc>. Acesso em: 13 nov. 2023.

BRASIL. Lei n° 4.680, de 18 de junho de 1965. Dispõe sobre o exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1965. Disponível em: <https://bit.ly/3RxyZno>. Acesso em: 13 nov. 2023.

BRASIL. Decreto nº 57.690, de 1° de fevereiro de 1966. Aprova o Regulamento para a execução da Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965. Brasília: Presidência da República, 1966. Disponível em: <https://bit.ly/3NJkCvf>. Acesso em: 13 nov. 2023.

BUENO, S. et al. Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil. 4 ed. Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Datafolha, 2023. Disponível em: <https://bit.ly/486DXOI>. Acesso em: 16 jun. 2023.

CELLARD, A. A análise documental. In: POUPART, J. et al. (Orgs.). A Pesquisa Qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis: Vozes, 2008. p. 295-316.

CONSELHO NACIONAL DE AUTORREGULAMENTAÇÃO PUBLICITÁRIA. Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária: maio de 1980. São Paulo: Conar, 1980. Disponível em: <https://bit.ly/41iNVKI>. Acesso em: 13 nov. 2023.

DIAS, I. Violência contra as mulheres no trabalho: o caso do assédio sexual. Sociologia, problemas e práticas, n. 57, p. 11-23, 2008. Disponível em: <https://bit.ly/4aCDe9N>. Acesso em: 14 nov. 2023.

DYER, G. Advertising as communication. Londres: Methuen, 1982.

FRIEDAN, B. A mística feminina. Petrópolis: Vozes, 1971.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

GONZALEZ, L. A mulher negra na sociedade brasileira. In: LUZ, M. T. (Org.). O lugar da mulher: estudos sobre a condição feminina na sociedade atual. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1982, p. 87-106.

GONZALEZ, L. Racismo e sexismo da cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, p. 223-244, 1984. Disponível em: <https://ria.ufrn.br/jspui/handle/123456789/2298>. Acesso em: 13 nov. 2023.

HALL, S. A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções culturais do nosso tempo. Educação e Realidade, v. 22, n. 2, p. 15–46, 1997. Disponível em: <https://bit.ly/4akVYL8>. Acesso em: 20 mai. 2022.

HALL, S. Cultura e representação. Rio de Janeiro: PUC-Rio; Apicuri, 2016.

hooks, b. Olhares negros: raça e representação. São Paulo: Elefante, 2019.

IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Acesso à internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal. Rio de Janeiro: IBGE, 2022. Disponível em: <https://bit.ly/3R4g57q>. Acesso em: 14 nov. 2023.

JHALLY, S. Os códigos da publicidade. Rio Tinto: Edições Asa, 1995.

KNOPLOCH, Z. A ideologia do publicitário. Rio de Janeiro: Achiamé, 1976.

MALTA, R. B. A comunicação no mercado do imaterial: tensões e distensões da produção simbólica em uma Era Pós-Material. 2013. 247 f. Tese (Doutorado em Comunicação Social) – Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, Universidade Metodista de São Paulo, São Paulo, 2013. Disponível em: <http://tede.metodista.br/jspui/handle/tede/675>. Acesso em: 14 nov. 2023.

MARANHÃO, J. A arte da publicidade: estética, crítica e kitsch. São Paulo: Papirus, 1988.

MELLO, J. M. C.; NOVAIS, F. A. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna. In: SCHWARCZ, L. M. (Org.). História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 559-658.

MOTA-RIBEIRO, S. Corpos visuais – imagens do feminino na publicidade. In: MACEDO, A; GROSSEGESSE, O. (Org.). Re-presentações do corpo. Braga: Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, 2003. p. 115-132. Disponível em: <https://bit.ly/47uBHQJ>. Acesso em: 14 set. 2022.

MUNIZ, E. Publicidade e propaganda: origens históricas. Cadernos Universitários, Ulbra, v. 1, n. 148, p. 51-63, 2004. Disponível em: <https://bit.ly/3NLmNyd>. Acesso em: 14 nov. 2023.

ONU MULHERES. Todxs/10: o mapa da representatividade na publicidade brasileira, 2022. Onu Mulheres. On-line. Disponível em: <https://bit.ly/47I3JsT>. Acesso em: 22 out. 2023.

REZENDE, M. J. de. A ditadura militar no Brasil: repressão e pretensão de legitimidade: 1964-1984. Londrina: Eduel, 2013.

ROCHA, E. Representações do consumo: estudos sobre a narrativa publicitária. Rio de Janeiro: Mauad X, 2006.

SARTI, C. A. O início do feminismo sob a ditadura no Brasil: o que ficou escondido. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DA LASA (Latin American Studies Association), 21, 1998, Chicago. Anais [...]. Chicago: CLACSO, 1998, p. 1-12. Disponível em: <https://bit.ly/3Gvit2f>. Acesso em: 15 out. 2023.

SCHNEIDER, A. Conar 25 anos: ética na prática. São Paulo: Editora Terceiro Nome; Editora Albatroz, 2005.

SETEMY, A. C. L. Vigilantes da moral e dos bons costumes: condições sociais e culturais para a estruturação política da censura durante a ditadura militar. Topoi, v. 19, n. 37, p. 171-197, 2018. Disponível em: <https://bit.ly/41ezB60>. Acesso em: 19 out. 2023.

WOLF, N. O mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. São Paulo: Rocco, 1992.

WOODWARD, K. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, T. T. (Org.). HALL, S; WOODWARD, K. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. 15. ed. Petrópolis: Vozes, 2014, p. 7-72.

Downloads

Publicado

2023-12-30

Como Citar

MOLARI, B. Publicidade brasileira em foco: uma análise das diretrizes sobre a retratação de mulheres. Lumina, [S. l.], v. 17, n. 3, p. 120–136, 2023. DOI: 10.34019/1981-4070.2023.v17.38965. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/38965. Acesso em: 23 fev. 2024.

Edição

Seção

Artigos