Vulneráveis ou vítimas? A experiência das redes de luta antimanicomial em Belo Horizonte e a construção relacional de biopotências

  • Lucas Veloso UFMG
  • Angela Cristina Salgueiro Marques Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: vulnerabilidade, vítima, sofrimento mental, biopotência, comum.

Resumo

O presente artigo procura apresentar uma reflexão em duas frentes acerca dos modos de existência, vulnerabilidades e resistências que atravessam as experiências, interações e processos comunicativos de sujeitos e sujeitas em sofrimento mental no contexto da cidade de Belo Horizonte (MG). Primeiramente, a noção de vulnerabilidades é contraposta à ideia de vítima passiva, destacando-se o seu enraizamento nos conflitos sociais e na construção relacional da autonomia, à luz dos modos de expressão política do coletivo Associação dos Usuários de Saúde Mental de Minas Gerais (ASSUSAM-MG). Em um segundo momento, procura-se verificar em que sentido vulnerabilidades atuam na criação e invenção de narrativas, corporeidades, redes de aliança e modos de auto-determinação político-expressivas que emergem no contexto de luta antimanicomial, possibilitado pela Associação.

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Biografia do Autor

Lucas Veloso, UFMG
Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais e Mestrando em Comunicação Social pelo PPGCOM da mesma instituição
Angela Cristina Salgueiro Marques, Universidade Federal de Minas Gerais
Doutora em Comunicação Social pela UFMG e professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social dessa mesma instituição. Pós-doutora em Comunicação Social pela Université Stendhal - Grenoble 3.

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Publicado
2018-08-30
Como Citar
VELOSO, L.; SALGUEIRO MARQUES, A. C. Vulneráveis ou vítimas? A experiência das redes de luta antimanicomial em Belo Horizonte e a construção relacional de biopotências. Lumina, v. 12, n. 2, p. 59-78, 30 ago. 2018.
Seção
Dossiê: Comunicação, Condição da Vítima e Políticas de Sofrimento