Identidades no contemporâneo: uma reflexão a partir da narrativa audiovisual “Meia-Noite em Paris”

  • Gislene Feiten Haubrich Universidade Feevale
Palavras-chave: Tempo, Espaço, Nostalgia, Meia-Noite em Paris.

Resumo

O artigo busca compreender implicações da noção de nostalgia à representação identitária dos sujeitos na contemporaneidade, tendo como base o drama da personagem Gil Pender, na narrativa audiovisual Meia-Noite em Paris (2011), de Woody Allen. Justifica-se o estudo diante da conexão entre nostalgia e devaneio ao estudo das identidades, além da relevância atribuída pelos sujeitos ao sentimento nostálgico na reconstituição de memórias que fundamentam seu viver. Nesta perspectiva, desenvolve-se uma pesquisa exploratória, de cunho bibliográfico e enfoque em análise fílmica. O referencial teórico é composto por Bachelard (1994; 1998), que orienta o entendimento acerca de tempo e de espaço, basilares à análise da ideia de nostalgia; Hall (2003; 2006) para a compreensão das noções de identidade e representação. Já as linguagens fílmicas serão estudadas a partir da elucidação de Gardies (2008) e Gaudreault e Jost (2009). Assim, o estudo percebe a nostalgia enquanto convite ao transitar pelo passado para depreender o presente. O sentimento nostálgico permite o acesso referencial aos espaços que podem orientar a construção de certezas (sempre provisórias) às vivências dos sujeitos, sendo a representação de sua identidade resultado dessa construção intelectual.

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Biografia do Autor

Gislene Feiten Haubrich, Universidade Feevale
Doutoranda e mestre em Processos e Manifestações Culturais. Graduada em Comunicação Social. Atualmente realiza pesquisa de doutorado com bolsa integral Capes.

Referências

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Publicado
2018-04-30
Como Citar
HAUBRICH, G. F. Identidades no contemporâneo: uma reflexão a partir da narrativa audiovisual “Meia-Noite em Paris”. Lumina, v. 12, n. 1, p. 166-184, 30 abr. 2018.