v. 28 n. 1 (2022): Dossiê: História recente da política externa da América Latina: uma questão de elites?
Dossiê

Eugenia em países irmãos: Projetos e contratempos

Joao Italo Silva
UFMG

Publicado 2022-07-04

Palavras-chave

  • Eugenia,
  • Políticas Públicas,
  • América Latina,
  • Elites,
  • Intercâmbio científico

Como Citar

Silva, Joao Italo. 2022. “Eugenia Em países irmãos: Projetos E Contratempos”. Locus: Revista De História 28 (1):17-37. https://doi.org/10.34019/2594-8296.2022.v28.36502.

Resumo

A eugenia conseguiu uma ampla divulgação ao longo das décadas de 1920 e 1930 em diferentes países do mundo. Um amplo movimento científico/social ganhou força nos cinco continentes como parte de um projeto nacional de elites intelectuais e políticas. Na América Latina, a “ciência de Galton” – seu idealizador –, foi pensada dentro da noção de cooperação entre cientistas de diferentes países. Acompanhamos nesse artigo as redes estabelecidas especificamente na América do Sul por três médicos da região – o argentino Victor Delfino, o brasileiro Renato Kehl e o peruano Carlos Enrique Paz Soldán. Eles trocaram correspondências e arquitetaram a formação de uma sociedade regional que contribuísse para o intercâmbio e para a construção de um continente eugênico. A eugenia enfrentou, entretanto, desafios para consolidar medidas que fossem encampadas por órgãos internacionais ligados à saúde. Discutiremos alguns dos projetos transnacionais e os desafios enfrentados pelo movimento eugênico, em especial o sul-americano, para agir como um ator internacional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

  1. A Fada Hygia (Bibliografia). Buenos Aires: La Semana Médica. Janeiro de 1925.
  2. Alonso, Angela. As teorias dos movimentos sociais: um balanço do debate. Lua Nova, 76, (2009): 49-86. https://doi.org/10.1590/S0102-64452009000100003z
  3. Bashford, Ashley. Internationalism, Cosmopolitanism, and Eugenics. Em: The Oxford Handbook of the History of Eugenics. Ashley Bashford e Philippa Levine (org), 55 – 169. Oxford: Oxford University Press, 2010.
  4. Bedwell, C. E. A. Eugenics in international affairs. Eugenics Review, vol.14, n.3, Outubro de 1922, 187-189.
  5. Black, Edwin. War against the weak: eugenics and america’s campaign to create a master race. Washington: Dialog Press, 2021.
  6. Campbell, Chloe. Eugenics in colonial Kenya. Em: The Oxford Handbook of the History of Eugenics. Ashley Bashford e Philippa Levine (org), 289 – 298. Oxford: Oxford University Press, 2010.
  7. Carta da German Society for Race Hygiene para Leonard Darwin sobre International Commission for Eugenics. (1923) American Philosophical Society, Dav, B:D27., Leonard Darwin #2. http://www.eugenicsarchive.org/eugenics/image_header.pl?id=442&printable=1&detailed=0
  8. Carta de Charles Davenport a Leonard Darwin sobre German government interest in eugenics. (1922) American Philosophical Society, Dav, B:D27., Leonard Darwin #1 http://www.eugenicsarchive.org/html/eugenics/static/images/440.html
  9. Carta de Carlos Enrique Paz Soldán a Renato Kehl. 2/3/1919. Fundo Pessoal Renato Kehl, Caixa 3 DAD/Fiocruz
  10. Carta de Carlos Enrique Paz Soldán a Renato Kehl. 11/04/1919. Fundo Pessoal Renato Kehl, Caixa 3, DAD/Fiocruz.
  11. Carta de Carlos Enrique Paz Soldán a Renato Kehl. 1/11/1919. Fundo Pessoal Renato Kehl, Caixa 3, DAD/Fiocruz.
  12. Carta de Renato Kehl a Carlos Enrique Paz Soldán. 10/12/1928. Fundo Pessoal Renato Kehl, Caixa s/n, DAD/Fiocruz.
  13. Carta de Israel Castellanos a Renato Kehl. 3/12/1930. Caixa s/n. Fundo Pessoal Renato Kehl, caixa 3, DAD/Fiocruz.
  14. Carta de Victor Delfino a Renato Kehl .12/03/1925. Caixa s/n. Fundo Pessoal Renato Kehl, caixa 3, DAD/fiocruz
  15. Carta Victor Delfino a Renato Kehl, 18 de Março de 1919, Fundo Pessoal Renato Kehl, Caixa 3, DAD/Fiocruz.
  16. Cervo, Amado Luiz e Clodoaldo BUENO. História da política exterior do Brasil. Brasília: Editora UNB, 2002.
  17. “Como escolher um bom marido.” La Semana Médica. 3 de abril de 1924.
  18. “Distinción honorífica.” La Semana Médica. 17 de abril de 1919.
  19. Dubow, Saul. Scientific racism in modern South Africa. Cambridge: Cambridge University Press, 1995. Estatutos da Sociedade Eugenica de São Paulo. Fundo Renato Kehl, Caixa 2, DAD/Fiocruz.
  20. International Federation of Eugenic Organizations. Nature. 19 de Março de 1932, 129, 431. https://doi.org/10.1038/129431a0
  21. Kehl, Renato. “Las asociaciones eugénicas.” Rio de Janeiro: La Semana Médica. 13 de março de 1919.
  22. Kehl, Renato. Melhoremos e Prolonguemos. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1922.
  23. Kehl, Renato. “O casamento entre surdo-mudo.” Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, 15/1/1924.
  24. Kehl, Renato. Eugenia no Brasil. Rio de Janeiro: Primeiro Congresso de Eugenia 1929.
  25. Kevles, Daniel. In the Name of Eugenics; genetics and the uses of human heredity. Cambridge, USA: Harvard University Press, 1995.
  26. Lesser, Jeffrey. A negociação da identidade nacional: imigrantes, minorias e a luta pela etnicidade no Brasil. São Paulo: Editora da UNESP, 2001.
  27. Miranda, Marisa e Gustavo Vallejo. Los saberes del poder: eugenesia y biotipología en la Argentina del Siglo XX. Revista de Indias, n. 231 (2004): 425-444.
  28. Nari, Marcela. La Eugenesia em Argentina, 1880-1940. Em: Quipú, vol 12, n 3 (1999): 343-369. Olsson, Giovanni. O poder dos indivíduos e das coletividades como atores não estatais no espaço global. Em: Relações internacionais, direito e poder: o contraponto entre os atores estatais e não estatais, volume II. Odete Maria Oliveira, p 47-80, Ijuí, RS: Ed Unijuí, 2015.
  29. “O perigo venéreo.” La Semana Médica. 17 de outubro de 1921. Palma, Héctor. “Gobernar es seleccionar”; apuntes sobre la eugenesia. Buenos Aires: Jorge Baudino Ediciones, 2002.
  30. Project of panamerican code on eugenics and homiculture, proposed by the Cuban delegation to the First Panamerican Conferecence of Eugenics and Homiculture. Havana: Imp Montalvo y Cardenas, 1927. http://www.eugenicsarchive.org/html/eugenics/static/images/724.html
  31. Reports of the Second International Congress of Eugenics. Eugenics Review, vol 15, n 2 (1923): 409-414.
  32. Resposta de Charles Davenport a Soren Hanson sobre eugenia. (1925) American Philosophical Society, Dav, B:D27,Leonard Darwin #3 http://www.eugenicsarchive.org/html/eugenics/static/images/443.html
  33. Schell, Patience. Eugenics Policy and Practice in Cuba, Puerto Rico, and Mexico. Em: The Oxford Handbook of the History of Eugenics. Ashley Bashford e Philippa Levine(org), 77 – 493. Oxford: Oxford University Press, 2010.
  34. Silva, João Ítalo. “Por uma eugenia latino-americana: Victor Delfino e Renato Kehl.” Dissertação, UFMG/FAFICH, 2008.
  35. “Sociedad Eugénica Argentina.” La Semana Médica. 5 de setembro de 1918.
  36. “Sociedade eugênica de São Paulo.” Estado de São Paulo. 4 de abril de 1919.
  37. Souza, Vanderlei. “A política biológica como projeto: a “eugenia negativa” e a construção da nacionalidade na trajetória de Renato Kehl (1917-1932).” Dissertação, FIOCRUZ, 2006.
  38. Souza, Vanderlei. Brazilian eugenics and its international connections: an analysis based on the controversies between Renato Kehl and Edgard Roquette-Pinto, 1920-1930. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v.23 (2016): 1-18. https://doi.org/10.1590/s0104-59702016000500006
  39. Stepan, Nancy. The hour of eugenics. Ithaca, NY: Cornell University Press, 1996.
  40. Stepan, Nancy. “The Pan American Experiment in Eugenics,”. Em: Petitjean, Patrick, Catherine Jami, and Anne Marie Moulin. Science and Empires: Historical Studies about Scientific Development and European Expansion, Boston and London: Kluwer Academic Publishers, 1992.
  41. Snipes, Samuel. 2011. The Life of Japaneses Quaker Inazo Nitobe https://www.friendsjournal.org/life-japanese-quaker-inazo-nitobe-1862-1933/
  42. Weiss, Sheila Faith. The Race Hygiene Movement in Germany, 1904-1945. ADAMS, Mark. The Wellborn Science: Eugenics in Germany, France, Brazil, and France. New York, Oxford: Oxford University Press, 1990.