Condições de saúde e perfil epidemiológico de crianças e adolescentes institucionalizados: estudo transversal retrospectivo

Autores

  • Alessa Sin Singer Brugiolo Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares https://orcid.org/0000-0003-3525-840X
  • Kamila Pacheco Martins Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares
  • Mariana Athayde da Silva Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares
  • Thamires Gabriela Silva Santos Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares https://orcid.org/0000-0003-1484-3749
  • Mariana Cristina Palermo Ferreira Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares https://orcid.org/0000-0001-5086-0920
  • Érica Cesário Defilipo Universidade Federal de Juiz de Fora campus Governador Valadares

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-8047.2023.v49.40258

Palavras-chave:

Perfil de Saúde, Criança Acolhida, Saúde da Criança Institucionalizada, Orfanatos

Resumo

Introdução: A população infantil é frequentemente vítima de maus tratos, violências e negligências por parte dos familiares, o que ameaça sua integridade física e emocional, remanescendo a alternativa de acolhimento em instituições de abrigo infantil com a finalidade de proteção e cuidado. Objetivo: Analisar as condições de saúde e o perfil epidemiológico da população infantil institucionalizada. Métodos: Trata-se de um estudo transversal e retrospectivo, realizado a partir da coleta de dados de prontuários e outros documentos das crianças e adolescentes acolhidos em uma instituição de abrigo infantil do município de Governador Valadares, Brasil, no período entre janeiro de 2016 e dezembro de 2019. Resultados: Durante este período, foram abrigados 105 crianças e adolescentes, sendo a maioria do sexo feminino, com até 4 anos de idade e sem condição de saúde diagnosticada. Para a maioria dos acolhidos não havia informações sobre a história gestacional, dados do nascimento, vacinação e frequência na escola. O uso de álcool e/ou drogas pelos pais, negligência, abandono e violência foram os motivos mais frequentes da institucionalização. Grande parte das crianças e adolescentes permaneceu em acolhimento por até um ano, possuía irmãos também abrigados e foi reintegrada à família ou adotada por familiares. Conclusão: Os resultados do presente estudo poderão contribuir para subsidiar a implantação de políticas públicas que minimizem a vulnerabilidade social, evitando o acolhimento institucional e seus impactos negativos sobre o desenvolvimento infantil.

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Referências

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Publicado

2023-10-24

Como Citar

1.
Sin Singer Brugiolo A, Pacheco Martins K, Athayde da Silva M, Silva Santos TG, Palermo Ferreira MC, Cesário Defilipo Érica. Condições de saúde e perfil epidemiológico de crianças e adolescentes institucionalizados: estudo transversal retrospectivo. HU Rev [Internet]. 24º de outubro de 2023 [citado 19º de maio de 2024];49:1-8. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/40258

Edição

Seção

Artigos Originais