Efeito da prática regular de atividade física na qualidade de vida relacionada à saúde de hipertensos resistentes

  • Natália Portela Pereira Unidade de Investigação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício, Hospital Universitário e Faculdade de Educação Física e Desportos, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora - MG, Brasil.
  • Gabriela Galdino Matias Unidade de Investigação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício, Hospital Universitário e Faculdade de Educação Física e Desportos, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora - MG, Brasil.
  • Isabelle Magalhães Guedes Freitas Unidade de Investigação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício, Hospital Universitário e Faculdade de Educação Física e Desportos, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora - MG, Brasil. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora, SUPREMA/JF, Juiz de Fora – MG, Brasil.
  • Leonardo Barbosa de Almeida Unidade de Investigação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício, Hospital Universitário e Faculdade de Educação Física e Desportos, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora - MG, Brasil.
  • Pedro Augusto de Carvalho Mira Unidade de Investigação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício, Hospital Universitário e Faculdade de Educação Física e Desportos, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora - MG, Brasil. Laboratório de Ciências do Exercício, Departamento de Fisiologia e Farmacologia, Universidade Federal Fluminense, Niterói – RJ, Brasil.
  • Rogério Baumgratz de Paula Núcleo Interdisciplinar de Estudos, Pesquisas e Tratamento em Nefrologia (NIEPEN), Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora - MG Brasil.
  • Daniel Godoy Martinez Unidade de Investigação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício, Hospital Universitário e Faculdade de Educação Física e Desportos, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora - MG, Brasil.
  • Mateus Camaroti Laterza Unidade de Investigação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Hospital Universitária e da Faculdade de Educação Física e Desportos da UFJF.
Palavras-chave: Hipertensão, Doença crônica, Qualidade de Vida, Atividade Física

Resumo

relacionada à saúde em relação aos pacientes com hipertensão arterial sistêmica. A prática regular de exercícios físicos melhora essa qualidade de vida de pacientes com hipertensão arterial sistêmica. Assim, é possível que a atividade física melhore a qualidade de vida relacionada à saúde dos hipertensos resistentes. Objetivo: Avaliar os efeitos da prática regular de atividade física na qualidade de vida relacionada à saúde de pacientes com hipertensão arterial resistente. Material e Métodos: Foram avaliados 38 pacientes, de ambos os gêneros, diagnosticados com hipertensão arterial resistente, divididos nos grupos ativo (n=19, 64±7 anos) e sedentário (n=19, 56±10 anos). Foi considerado fisicamente ativo o paciente que praticava exercício físico por pelo menos três vezes por semana, com duração mínima de duas horas semanais, por período superior a quatro meses. Indivíduos do grupo sedentário se caracterizaram por não praticar exercício físico regularmente há, no mínimo, seis meses. A qualidade de vida relacionada à saúde foi avaliada pelo questionário SF-36 considerando-se os domínios: capacidade funcional, limitação por aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. Foi utilizado o teste t de Student para amostras independentes, com nível de significância de p<0,05. Resultados: A qualidade de vida relacionada à saúde foi significativamente maior no grupo Ativo em relação ao grupo Sedentário para os domínios capacidade funcional (69±25 vs. 44±22 pontos, p<0,01), dor (66±23 vs. 49±22 pontos, p=0,03), estado geral de saúde (61±16 vs. 52±9 pontos, p=0,03), vitalidade (69±20 vs. 43±22 pontos, p<0,01), limitação por aspectos físicos (75±38 vs. 40±34 pontos, p<0,01) e saúde mental (76±24 vs. 53±26 pontos, p=0,01), respectivamente. Os grupos Ativo e Sedentário foram semelhantes para os domínios aspectos sociais (74±24 vs. 68±28 pontos, p=0,54) e limitação por aspectos emocionais (63±38 vs. 40±36 pontos, p=0,07), respectivamente. Conclusão: A prática regular de atividade física parece melhorar a qualidade de vida relacionada à saúde de hipertensos resistentes.

Biografia do Autor

Mateus Camaroti Laterza, Unidade de Investigação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Hospital Universitária e da Faculdade de Educação Física e Desportos da UFJF.
Graduado em Educação Física pelo Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas FMU (1998). Especialista em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de São Paulo UNIFESP (2000). E, doutor em Ciências, área de concentração Cardiologia, pelo Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo HCFMUSP (2007). Atualmente é Professor Adjunto da Faculdade de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Juiz de Fora FAEFID-UFJF. Coordenador da Pós-Graduação Lato Sensu em Atividade Física em Saúde e Reabilitação Cardíaca FAEFID-UFJF. Vice-coordenador da Comissão de Residência Multiprofissional do Hospital Universitário da UFJF (COREMU - HU). Orientador do Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Faculdade de Medicina da UFJF. Orientador do Mestrado em Educação Física da FAEFID da UFJF/UFV. Chefe da Unidade de Avaliação Física do HU/UFJF. Pesquisador Líder da Unidade de Investigação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício (CNPq). Membro do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos e do Comitê Assessor ao Conselho Setorial de Pós-Graduação e Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa da UFJF. Contempla experiência cientifica e didática na área de Fisiologia Humana, com ênfase em Fisiologia do Exercício e Fisiopatologia das Doenças Cardiovasculares.

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Publicado
2019-11-28
Como Citar
Portela Pereira, N., Galdino Matias, G., Magalhães Guedes Freitas, I., Barbosa de Almeida, L., de Carvalho Mira, P. A., Baumgratz de Paula, R., Godoy Martinez, D., & Laterza, M. C. (2019). Efeito da prática regular de atividade física na qualidade de vida relacionada à saúde de hipertensos resistentes. HU Revista, 45(3), 270-275. https://doi.org/10.34019/1982-8047.2019.v45.28744