Prevalência de rastreio positivo para síndrome de Cushing em indivíduos obesos candidatos ao tratamento cirúrgico para obesidade

  • Marcella Menezes Andrade Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, Belo Horizonte, Minas Gerais https://orcid.org/0000-0002-8907-7287
  • Beatriz Mota Tiburcio Hospital Madre Tereza, Belo Horizonte, Minas Gerais
  • Vinícius Alves Lima Hospital Metropolitano Odilon Behrens, Belo Horizonte, Minas Gerais
  • Silvana Pinheiro Neiva Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, Belo Horizonte, Minas Gerais
  • Cláudia Maria Andrade Fernandes Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, Belo Horizonte, Minas Gerais
Palavras-chave: Síndrome de Cushing, Obesidade Mórbida, Cirurgia Bariátrica

Resumo

Introdução: A obesidade afeta mais de um terço dos norte-americanos e sua prevalência está aumentando nos brasileiros. Em casos graves, a cirurgia bariátrica é considerada o tratamento mais bem-sucedido e duradouro. Durante a avaliação pré operatória, deve-se investigar causas secundárias de obesidade e, especificamente no Brasil, deve-se excluir síndrome de Cushing (SC) nesses pacientes, apesar de recomendações controversas de rastreio de SC em diretrizes atuais. A prevalência de SC endógena é extremamente baixa, mas parece ser maior em populações específicas, como pacientes diabéticos, com hipertensão resistente, ou portadores de obesidade Objetivo: Avaliar a prevalência de triagem positiva para SC em obesos candidatos a cirurgia bariátrica e discutir possíveis fatores de risco ou co-morbidades associadas à positividade do rastreio. Material e métodos: Estudo retrospectivo com 629 pacientes atendidos no ambulatório de obesidade da Santa Casa de Belo Horizonte entre 2008 e 2016. Realizada a triagem da SC com o teste de supressão noturna com 1mg de dexametasona (1mg-DST), dosando o cortisol na manhã seguinte  (ponto de corte ≥1,8μg/dL). Resultados: 80 dos 629 pacientes apresentaram rastreio positivo para SC. Destes, 20 pacientes foram considerados negativos após repetirem o 1mg-DST e 6 pacientes foram negativos após o teste Liddle 1. Conclusão: A prevalência de rastreio positivo para SC foi igual a 12,7%, semelhante aos dados da literatura. Nenhum fator de risco ou co-morbidade pôde ser diretamente associado à positividade do teste de rastreamento.

Biografia do Autor

Marcella Menezes Andrade, Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, Belo Horizonte, Minas Gerais

Endocrinologia e Metabologia

Medicina

Referências

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Publicado
2020-02-14
Como Citar
Andrade, M. M., Mota Tiburcio, B., Alves Lima, V., Pinheiro Neiva, S., & Andrade Fernandes, C. M. (2020). Prevalência de rastreio positivo para síndrome de Cushing em indivíduos obesos candidatos ao tratamento cirúrgico para obesidade. HU Revista, 45(4), 426-430. https://doi.org/10.34019/1982-8047.2019.v45.25987
Seção
Artigos Originais