Acesso à orientação quanto ao autocuidado por pessoas diagnosticadas com hanseníase em um município da Zona da Mata Mineira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-8047.2018.v44.14130

Palavras-chave:

Hanseníase, Autocuidado, Educação em Saúde

Resumo

Introdução: a hanseníase ainda é um problema de saúde pública no Brasil. Mesmo apresentando tratamento e cura, dependendo de sua evolução, pode levar a incapacidades físicas e deformidades principalmente em mãos, pés e olhos, sendo considerada, dentre as doenças transmissíveis, a que mais ocasiona incapacidades físicas. Objetivo: identificar quais são as ações de prevenção e controle de incapacidades físicas da hanseníase ofertadas a pessoas diagnosticadas com hanseníase de um município da Zona da Mata Mineira. Material e Métodos: Trata-se de um estudo transversal de natureza observacional, com participação de 23 casos diagnosticados com hanseníase em município da Zona da Mata Mineira no período de 2011 a 2016. A coleta de dados deu-se através de visitas domiciliares nas quais os participantes foram abordados individualmente. Os dados, após a coleta na ferramenta ODK Collect, foram exportados, tratados e analisados no IBM® SPSS® Statistics v. 24 for Windows. Foi realizada análise descritiva dos dados, por meio de medidas de tendência central e de dispersão. Resultados: 21,7% negam ter recebido qualquer tipo de orientação ao autocuidado no momento do diagnóstico. Além disso, a oferta não foi totalmente de acordo com o preconizado. Quanto às ações de controle da Hanseníase oferecidas pelo serviço de saúde em que os participantes fizeram tratamento, tem-se a presença de: consultas de acompanhamento (82,6%), ações oferecidas sempre ou quase sempre a cada consulta no tocante à avaliação da sensibilidade (95,7%), avaliação da força muscular (91,0%), orientações individuais para o autocuidado (69,6%) e orientações individuais quanto aos efeitos dos medicamentos (82,7%). Evidenciou-se baixa presença de atividades educativas em grupo sobre a hanseníase (17,4%), assim como baixo número de encaminhamentos para especialistas (47,9%). Conclusão: verifica-se dificuldade operacional no manejo das ações de prevenção e controle de incapacidades da hanseníase, o que pode contribuir para o aumento do risco de desenvolver incapacidades físicas.

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Biografia do Autor

Cosme Rezende Laurindo, Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF)

Enfermeiro Residente em Saúde Mental. Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), Juiz de Fora, MG, Brasil

Sarah Lamas Vidal, Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Mestrado em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora (FACENF/UFJF). Enfermeira. Juiz de Fora, MG, Brasil.

Nathalia de Oliveira Martins, Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Graduanda em Enfermagem pela FACENF/UFJF. Juiz de Fora, MG, Brasil.

Camila Fernandes de Paula, Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Graduanda em Enfermagem pela FACENF/UFJF. Juiz de Fora, MG, Brasil.

Gilmara Aparecida Batista Fernandes, Complexo Hospital de Clinicas CHC/UFPR – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares Hospitalares.

Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Enfermeira no Complexo Hospital de Clinicas CHC/UFPR – Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares Hospitalares. Curitiba, PR, Brasil.

Angélica da Conceição Oliveira Coelho, Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Doutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem Básica da Faculdade de Enfermagem da UFJF. Juiz de Fora, MG, Brasil.

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Publicado

2019-06-21

Como Citar

1.
Laurindo CR, Vidal SL, Martins N de O, Paula CF de, Fernandes GAB, Coelho A da CO. Acesso à orientação quanto ao autocuidado por pessoas diagnosticadas com hanseníase em um município da Zona da Mata Mineira. hu rev [Internet]. 21º de junho de 2019 [citado 2º de outubro de 2022];44(3):295-301. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/14130

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