O NOSSO MUNDO É A MARGEM:
O RELATO ECOLÓGICO DE CAROLINA MARIA DE JESUS NO LIVRO QUARTO DE DESPEJO: DIÁRIO DE UMA FAVELADA
DOI:
https://doi.org/10.34019/1983-8379.2026.v19.51509Palavras-chave:
Ecologia, Racismo, Necropolítica, MemóriaResumo
A modernidade liberal-burguesa instituiu uma lógica que transforma tudo em resto: corpos, territórios, culturas e existências, tornando-os em excedentes. Para além da dimensão material do lixo, essa engrenagem produz apagamentos sistemáticos que recaem principalmente sobre populações racializadas e marginalizadas. Nesse contexto, este artigo objetiva analisar como a lógica de descarte se manifesta na obra Quarto de despejo: Diário de uma favelada, tendo como perspectiva analítica o racismo ambiental, articulado a uma noção de ecologia escrevivente. A voz negra feminina, pobre e favelada, em conjunto com as discussões acerca da justiça ambiental, norteará a análise proposta neste trabalho, a partir de um discurso que apresenta vidas que experimentam a escassez, a fome e a degradação ambiental, criando um saber contra-hegemônico acerca da crise ecológica. Parte-se da hipótese de que a produção literária caroliniana desafia a política ambiental e a escrita literária tradicional por meio de uma narrativa dissidente que expõe uma crise ecológica, a qual coaduna com as desigualdades raciais e sociais, evidenciando a desigualdade social produzida por um sistema capitalista racializado.
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