Entre o fato político e o fato científico
Ditadura Militar e o florescimento da ciência política brasileira
DOI:
https://doi.org/10.34019/1981-2140.2025.50704Palavras-chave:
ciência política, guerra fria, ditadura militar, neo-institucionalismo, marxismoResumo
Este estudo investiga os impactos da ditadura militar brasileira na conformação de modelos específicos de produção científica, tendo como objeto a gênese da ciência política no Brasil entre as décadas de 1960 e 1980. Parte-se da hipótese de que a institucionalização da disciplina decorreu da confluência entre o contexto político-econômico – caracterizado pela Guerra Fria e pela ditadura militar brasileira – e a atuação de instituições privadas de fomento à pesquisa, com destaque para a Fundação Ford. A pesquisa adota uma abordagem sociológica, qualitativa e histórico-analítica, orientada pela articulação entre os campos acadêmico e político. As estratégias metodológicas compreendem a análise das trajetórias de autores centrais no processo de institucionalização da ciência política, a revisão crítica da literatura especializada sobre o desenvolvimento das Ciências Sociais no Brasil e a investigação do papel desempenhado por instituições de fomento nacionais e internacionais na orientação das agendas científicas. Sustenta-se que a ciência política brasileira não apenas incorporou paradigmas externos, mas os ressignificou a partir dos dilemas e especificidades do contexto nacional, contribuindo para a construção de um campo disciplinar comprometido com a modernização do saber político no Brasil, ao mesmo tempo em que se alinhava, em parte, às prioridades ideológicas e institucionais do campo científico norte-americano – fenômeno que se denomina nacionalização das premissas do neo-institucionalismo. Assim, este estudo busca contribuir para o aprofundamento da compreensão das interações entre os campos intelectual e político que influenciaram a formação das disciplinas acadêmicas no país.
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Referências
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