A materialidade das ideias em Marx e suas implicações epistemológicas para o Desenvolvimento Regional no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.34019/1981-2140.2025.51300Palavras-chave:
Marx, epistemologia, materialidade das ideias, Desenvolvimento Regional, BrasilResumo
Este artigo analisa a contribuição de Karl Marx para a epistemologia do Desenvolvimento Regional no Brasil, a partir da noção de materialidade das ideias e da crítica à autonomia abstrata do pensamento. O objeto da investigação consiste na reconstrução teórica do deslocamento epistemológico operado por Marx em relação à tradição formalista do pensamento ocidental, especialmente aquela fundada na lógica aristotélica. O objetivo central é demonstrar que a incorporação da materialidade histórica e do trabalho como fundamentos do conhecimento constitui um princípio epistemológico decisivo para a consolidação de abordagens críticas do desenvolvimento regional no contexto brasileiro. Do ponto de vista metodológico, o artigo adota uma abordagem teórico-analítica, baseada na reconstrução conceitual e no diálogo crítico com autores clássicos e contemporâneos. Em um primeiro momento, examina-se a base formal das ideias em Aristóteles, evidenciando uma concepção de conhecimento fundada na ordenação lógica do pensamento e na universalidade abstrata dos princípios racionais, que afasta do campo epistemológico as determinações históricas e sociais da vida material. Em seguida, analisa-se a crítica marxiana a esse paradigma, destacando a centralidade do trabalho, da produção material da vida social e da determinação histórica das ideias na constituição do conhecimento. Na sequência, investiga-se o desdobramento dessa guinada epistemológica no campo do desenvolvimento regional, por meio do diálogo com autores do pensamento social brasileiro e da área do Desenvolvimento Regional. Argumenta-se que a incorporação da materialidade das ideias permitiu superar abordagens tecnocráticas e abstratas do desenvolvimento, possibilitando interpretações que compreendem o território e as desigualdades regionais como produtos históricos das relações sociais de produção e da divisão territorial do trabalho. Conclui-se que a contribuição de Marx ultrapassa o plano metodológico, configurando-se como fundamento epistemológico central para a análise do desenvolvimento regional no Brasil, reafirmando a atualidade do marxismo como ferramenta crítica e interdisciplinar para a compreensão das desigualdades regionais.
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