Doença renal crônica não dialítica: invisibilidade e negligência na Atenção Primária à Saúde
DOI:
https://doi.org/10.34019/1809-8363.2026.v29.48010Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Insuficiência Renal Crônica, Falência Renal Crônica, Diagnóstico PrecoceResumo
Objetivo: Avaliar a capacidade institucional da atenção primária à saúde (APS) para o manejo da doença renal crônica não dialítica (DRC-ND) em um município de Minas Gerais/Brasil. Método: Estudo transversal descritivo, realizado entre maio e agosto de 2024. A população foi composta por gestores municipais da APS e por médicos e/ou enfermeiros que atuavam na assistência à saúde na Atenção Primária. O instrumento Assessment of Chronic Illness Care (ACIC), versão validada em português, foi utilizado para avaliar a capacidade da APS em prestar cuidados às pessoas com DRC- ND a partir da escala likert, pontuada de zero a 11 pontos. Foi realizada análise descritiva dos dados para caracterizar a população e interpretar os resultados do ACIC conforme as sete dimensões do instrumento. Resultados: O estudo contou com representantes de 100% das unidades de APS do município analisado (43 unidades), num total de 67 participantes: 27 (40,3%) médicos; 37 (55,2%) enfermeiros e os três principais gestores. O ACIC revelou um escore geral baixo de 2,8/11 da capacidade da APS em assistir pessoas com acometimento renal. Especificamente, as pontuações mais baixas foram registradas nas seguintes dimensões: envolvimento da comunidade (2,0/11); sistemas de informação clínica (2,0/11) e integração dos componentes do Modelo de Atenção Cuidados Crônicos (MACC) (2,0/11). Conclusões: Este estudo identificou deficiências estruturais e organizacionais na APS para a gestão da DRC-ND, o que evidencia inadequação aos princípios fundamentais do SUS e ressalta a necessidade urgente de investimentos em capacitação profissional e em infraestrutura adequada para garantir o direito à proteção da saúde renal.




