“Alcoolismo” e “beber socialmente”: analisando o uso de termos leigos na atenção primária à saúde
DOI:
https://doi.org/10.34019/1809-8363.2026.v29.46003Palavras-chave:
Atenção Primária, Transtornos Relacionados ao Uso de Álcool, Cuidado Culturalmente CompetenteResumo
Introdução: Expressões informais como “beber socialmente” e “alcoolismo” estão presentes nas consultas da atenção primária à saúde (APS). Buscamos compreender como a percepção cultural destes profissionais interfere no cuidado, incluindo suas normas descritivas e injuntivas que embasam suas atitudes e intervenções. Metodologia: A metodologia utilizada foi a análise de conteúdo. Entrevistamos 33 profissionais de nível superior da APS no município do Rio de Janeiro por questionário semiestruturado com perguntas sobre “beber socialmente” e “alcoolismo”. Resultados: Os entrevistados percebem “beber socialmente” como consumo de baixa frequência/quantidade, com amigos e família, sem perder o controle e “alcoolismo” como uso grave e problemático. A confiança normativa dos profissionais no “beber socialmente” prejudica investigar aprofundadamente o uso de álcool. A gravidade associada ao “alcoolismo” reforça estigma e dificulta intervenções precoces. Conclusão: Estes termos culturais atravessam a prática clínica, porém são imprecisos e prejudiciais. Capacitações para abordagem ao uso de álcool devem incluir aspectos culturais.




