Amphisbaenia: Adaptações para o Modo de Vida Fossorial

  • Maria Eliana Carvalho Navega-Gonçalves Universidade Metodista de Piracicaba - Unimep, Piracicaba, SP, Brasil https://orcid.org/0000-0003-2256-4950
  • João Paulo de Almeida Benites Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Unesp, Rio Claro, SP, Brasil
Palavras-chave: Adaptações fossoriais, Anfisbênios, Revisão bibliográfica

Resumo

Amphisbaenia são répteis fossoriais, que vivem em sistemas de túneis construídos por eles mesmos. Atualmente, são descritas 195 espécies recentes. O objetivo deste estudo foi reunir informações bibliográficas sobre aspectos de sua morfologia, fisiologia e comportamento relacionando-as ao hábito fossorial. O principal instrumento de escavação dos anfisbênios é a cabeça, cuja morfologia está relacionada com a maneira como a escavação é realizada. Assim, nas espécies com a cabeça arredondada o mecanismo de escavação é generalizado e nas espécies com a cabeça em forma-de-pá, de espátula ou com uma quilha vertical é especializado. O crânio é resistente, formado por placas ósseas rígidas, que devem suportar as investidas da cabeça. O corpo é alongado e cilíndrico desprovido de membros, na maioria, e formado por anéis tegumentares, importantes no deslocamento retilíneo do corpo para a frente e para trás, dentro dos túneis. O alongamento do corpo é refletido nos órgãos internos que são, em sua maioria, alongados; os órgãos pares tendem a sofrer redução ou deslocamento unilateral. Como estratégias de defesa utilizam-se da autotomia caudal, exibição da cauda ou salto de fuga. São predadores que se alimentam, normalmente, de insetos e suas larvas, apreendidos por mandíbulas potentes, dentes fortes e recurvados. O sistema visual é reduzido, no entanto, são capazes de perceber sons e vibrações oriundas do substrato, e possuem um acurado senso químico. A maioria das espécies é ovípara com um baixo número de ovos por ninhada e o ciclo sexual é geralmente sazonal, sincronizado com a estação quente e chuvosa, mas outros aspectos relacionados ao comportamento reprodutivo das espécies ainda são desconhecidos. Exibem termorregulação comportamental e selecionam micro-habitat com temperaturas mais favoráveis às suas atividades, realizando migrações verticais no solo, de acordo com a temperatura ambiental e estações do ano. Os tipos de solos e o teor de umidade do mesmo parecem influenciar na distribuição espacial dos Amphisbaenia, mas esta relação precisa ser melhor compreendida. O modo de vida fossorial protege da irradiação solar intensa, oferece um micro-habitat com maior teor de umidade do que na superfície, propicia proteção contra muitos predadores e favorece a captura de presas que vivem no solo, mas impõe restrições em relação os biótopos onde este animais poderiam ser encontrados.

Biografia do Autor

João Paulo de Almeida Benites, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Unesp, Rio Claro, SP, Brasil
   
Publicado
2019-12-30
Seção
Artigos de Revisão