Atividades diárias de Tropidurus hispidus (Squamata: Iguania: Tropiduridae) na Ilha do Monte Cristo, Baía de Todos-os-Santos, Bahia, Brasil

  • Danilo Sabino da Silva Lima Universidade Federal da Bahia-UFBA
  • Rodrigo Santos Siqueira Laboratório de Biologia e Ecologia de Vertebrados (LABEV), Pós-Graduação em Diversidade Animal, Instituto de Biologia, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, Brasil.
  • Eduardo José dos Reis Dias Laboratório de Biologia e Ecologia de Vertebrados (LABEV), Departamento de Biociências, Campus Alberto de Carvalho, Universidade Federal de Sergipe, Itabaiana, Sergipe, Brasil.
  • Rejane Maria Lira-da-Silva Núcleo de Ofiologia e Animais Peçonhentos da Bahia (NOAP/UFBA), Instituto de Biologia, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, Brasil.

Resumo

Apresenta-se, neste trabalho, informações sobre as atividades diárias do Tropidurus hispidus. A espécie é classificada como um forrageador sedentário do tipo senta-e-espera, cujos principais itens alimentares são artrópodes, com destaque para formigas e cupins. Por não se conhecer diversos aspectos dos comportamentos relacionados à história de vida dos lagartos, consideramos a grande importância e relevância de estudos que abordem estes aspectos. Assim, o objetivo deste trabalho foi descrever e analisar as atividades diárias de indivíduos da espécie Tropidurus hispidus, da Ilha do Monte Cristo, Saubara, Bahia, Brasil, relacionando a influência da temperatura no seu comportamento e possível preferência de horário para realização das suas atividades. A coleta de dados do grupo foi feita através do método animal focal, sendo que cada indivíduo foi observado durante o período de dez minutos, e, a cada minuto, o comportamento do animal focal foi anotado. Os resultados apresentados são referentes a um total de 300 registros focais de T. hispidus, com esforço amostral de 11 horas, por dois observadores. Com esse trabalho podemos concluir que os indivíduos de Tropidurus hispidus observados na Ilha do Monte Cristo são ativos durante todo o dia, desde as primeiras horas da manhã (06:00 h) até o final da tarde (17:00 h), com picos de atividade relacionados aos horários do dia em que as temperaturas do ar estavam mais elevadas (34,9 ºC e 32,9 ºC). Sua principal atividade é a termoregulação, exposta ao sol, corroborando seu padrão heliófilo. Não foi observado durante o estudo preferência de horário para a realização das outras atividades, tais como deslocamento, forrageamento, territorialismo ou corte. O principal substrato em que os indivíduos estiveram associados foram troncos de árvores que provêm abrigo e possuem vasto recurso alimentar. Os resultados mostrados sobre a atividade diária de T. hispidus indicam o quanto é importante o processo de termorregulação para lagartos, já que boa parte de seus registros de atividade foram associados a este aspecto.

Biografia do Autor

Danilo Sabino da Silva Lima, Universidade Federal da Bahia-UFBA

Mestrando em Diversidade Animal pela Universidade Federal da Bahia, Membro colaborador do Nuevo (Núcleo de Etologia e Evolução) da Universidade Federal da Bahia, Participante do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Ecologia e Conservação da Biodiversidade (NUPECBIO), IBIO/UFBA. Pós graduado (especialização) em metodologia das Ciências Químicas, Físicas e Biológicas, pela faculdade Latino Americana de Educação. Graduado em Ciências da Natureza pela Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF  

Rodrigo Santos Siqueira, Laboratório de Biologia e Ecologia de Vertebrados (LABEV), Pós-Graduação em Diversidade Animal, Instituto de Biologia, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, Brasil.
Atualmente estudante de mestrado do Programa de Pós Graduação em Diversidade Animal da Universidade Federal da Bahia. Graduado em Ciências Biológicas na Universidade Federal de Sergipe. Atuou como bolsista de iniciação científica do programa PIIC-UFS. Estagiou no Projeto Coral Vivo (Porto Seguro, BA) no apoio técnico à pesquisa e educação ambiental. Trabalhou como estagiário no Zoológico Bosque dos Jequitibás (Campinas, SP) no manejo de animais silvestres, comportamento, enriquecimento ambiental, bem-estar animal e educação. 
Eduardo José dos Reis Dias, Laboratório de Biologia e Ecologia de Vertebrados (LABEV), Departamento de Biociências, Campus Alberto de Carvalho, Universidade Federal de Sergipe, Itabaiana, Sergipe, Brasil.
Doutor e Mestre em Ciências (Área de Concentração em Ecologia) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente é Professor Adjunto IV da Universidade Federal de Sergipe. Credenciado como Orientador no Programa de Pós-Graduação em Diversidade Animal da Universidade Federal da Bahia (UFBA). É Líder do Grupo de Pesquisa Biota do Nordeste. Tem experiência na área de Zoologia de Vertebrados, Ecologia de Populações e Comunidades de Vertebrados Terrestres, Comportamento Animal, História Natural e Biogeografia de Répteis e em Biologia da Conservação atuando principalmente com a Herpetofauna.
Rejane Maria Lira-da-Silva, Núcleo de Ofiologia e Animais Peçonhentos da Bahia (NOAP/UFBA), Instituto de Biologia, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Bahia, Brasil.
Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Bahia (1990), Aperfeiçoamento no Natural History Museum, Londres (1991) e no Muséum d´Histoire Naturelle, Paris (2015), Especialização em Venenos Animais pelo Instituto Butantan, São Paulo (1991), Mestrado em Saúde Pública pela Universidade Federal da Bahia (1996), Doutorado em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas (2001), Pós-Doutorados no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa, Portugal (2007-2008 e 2015) e na The University of Melbourne, Austrália (Estágio Sênior 2015-2016), tendo realizado visitas técnicas aos Institutos Pasteur do Benin e da Costa do Marfim (2015). É Professora Associada III da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Coordenadora do Núcleo de Ofiologia e Animais Peçonhentos da Bahia (NOAP/UFBA) e Curadora da Coleção Herpetológica do Museu de História Natural da Bahia (MHNBA/UFBA), onde coordena o Setor Educativo. 
Publicado
2017-07-10