Ecologia trófica do lobo-guará, Chrysocyon Brachyurus (Illiger, 1811), no Parque Estadual do Guartelá, Tibagi, PR, Brasil

  • Lincoln José Michalski Universidade Estadual de Ponta Grossa
  • Ivana de Freitas Barbola Universidade Estadual de Ponta Grossa
  • Patrícia Michele da Luz Universidade Federal do Paraná

Resumo

O estudo do habito alimentar do lobo-guara no Parque Estadual do Guartela - PEG (Tibagi, Paraná, Brasil) foi realizado através da analise de 104 amostras de fezes coletadas entre agosto de 2011 e julho de 2012, sendo 70 delas (67,31%) coletadas no período chuvoso (outubro a fevereiro) e 34 (32,69%) nos meses mais secos (de marco a setembro). Foram identificados 11 itens alimentares, cinco de origem vegetal e que representaram 99,29% do total de recursos consumidos e seis de origem animal (0,71% do total de recursos). Entre os itens vegetais destacam-se os frutos de Syagrus romanzoffiana (jerivá) presentes em 10 dos 12 meses de amostragem, com uma frequência relativa de 66,89%; o mesmo ainda foi o item vegetal mais representativo em biomassa ingerida, correspondendo a 33,14% da biomassa total consumida. Entre os itens de origem animal, os roedores destacaram-se, estando presentes em oito meses da amostragem e com uma frequência relativa de 0,32%; porém os tatus foram os mais significativos em relação à biomassa ingerida, com 38,34% do total. Em relação às estacoes do ano, a de maior abundância de amostras foi o verão (49), seguida da primavera (36), outono (12) e inverno (7). O Índice de Levins (BA) como medida de amplitude de nicho resultou em valores baixos para todo o período amostrado (0,1047), indicando uma baixa equidistribuicao no uso de recursos, já em análise mensal, julho apresentou a maior amplitude (0,7009). Os resultados deste estudo confirmam que também no PEG o lobo-guará apresenta uma dieta generalista oportunista, alimentando-se principalmente de itens de origem vegetal, de acordo com a sua disponibilidade no ambiente.

Publicado
2014-07-30