A escola perdendo o controle

o discurso da violência em uma narrativa de uma professora em formação inicial

  • Cláudia Maria Bokel Reis
  • William Soares dos Santos

Resumo

Tendo por base uma perspectiva sociointeracional do discurso (GUMPERZ, 1982), a concepção de ética como ato responsável, desenvolvida por Bakhtin ([1924] 2012), a análise narrativa como um processo social (BASTOS; SANTOS, 2013), a construção de dados narrativos como uma autoetnografia (VERSIANI, 2002, 2005), bem como a discussão sobre a banalidade do mal de Arendt (1964), esta pesquisa investiga um memorial narrativo de formação escrito por uma estudante matriculada em um curso de Prática de Ensino de Professores de Português/Inglês em uma Universidade Federal no Rio de Janeiro. Na narrativa, analisamos a descrição da professora em formação a respeito do despreparo escolar e da violência envolvendo todos os atores do processo educacional, como vivenciado por ela no campo de estágio. Nossos resultados indicam que a professora em formação constrói uma narrativa a partir de uma posição avaliativa, na qual ela demonstra ter testemunhado episódios, tais como o de uma professora perdendo o controle de sua classe, de violência envolvendo alunos entre si e com outros atores na escola. A narrativa da professora em formação abordaquestões relativas à formação de professores, mal-entendidos discursivos e à violência retratada em diferentes aspectos das práticas diárias escolares. Mais importante ainda, a análise deste memorial aponta para a banalidade de como a violência perpetrou a prática e o discurso da escola. Os resultados mostram a necessidade de uma construção dialógica de conhecimentos e relações nas práticas escolares de todos os atores envolvidos no processo de formação inicial de professores, desafiando estudantes, professores e formadores de professores a inovar nas formas de conceber a epistemologia das ações performáticas de educar professores tanto em uma perspectiva teórica quanto prática.

Publicado
2019-09-12
Seção
Artigos