A autoridade sobre o morrer

medicina, religião e a divisão entre condução e sentido na morte infantil

Autores

  • Sabrina de Miguel Augusto PUC-SP

DOI:

https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.52795

Palavras-chave:

morte, morte infantil, religião, medicina, cuidados paliativos

Resumo

O presente artigo analisa a reconfiguração da autoridade sobre o morrer no Ocidente a partir das relações entre religião e medicina, com especial atenção à morte infantil. Parte-se da compreensão de que a morte não se reduz a um evento biológico, mas constitui uma experiência que exige simultaneamente condução prática e inteligibilidade simbólica. Nas sociedades pré-modernas, essas dimensões encontravam-se articuladas no interior de um mesmo regime religioso, que integrava rituais, interpretações e formas de organização do morrer. Com a modernidade, observa-se a medicalização e institucionalização da morte, com a medicina assumindo a condução técnica do processo no ambiente hospitalar. Esse deslocamento, contudo, não implica a absorção da dimensão simbólica pelo saber médico, mas produz uma separação entre o controle do corpo e a atribuição de sentido. A morte infantil emerge, nesse contexto, como ponto crítico dessa configuração, ao evidenciar os limites da racionalidade médica diante de uma perda que desafia sua inteligibilidade. O artigo argumenta que a autoridade contemporânea sobre o morrer é distribuída e estruturalmente incompleta, envolvendo a articulação entre decisões técnicas, mediações morais e interpretações simbólicas, particularmente visíveis no campo dos cuidados paliativos

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Publicado

2026-08-26

Como Citar

DE MIGUEL AUGUSTO, S. A autoridade sobre o morrer: medicina, religião e a divisão entre condução e sentido na morte infantil. Sacrilegens , [S. l.], v. 23, n. 1, p. 206–226, 2026. DOI: 10.34019/2237-6151.2026.v23.52795. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/52795. Acesso em: 31 ago. 2026.