Hierarquias da morte

espaço funerário, distinção social e memória no Cemitério da Consolação (São Paulo, século XIX)

Autores

  • Gustavo Sanches Universidade Federal de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.52733

Palavras-chave:

Cemitério da Consolação, Espaço funerário, Memória social

Resumo

O presente artigo analisa as transformações das práticas funerárias e da organização do espaço funerário na cidade de São Paulo durante o século XIX, com foco na criação e consolidação do Cemitério da Consolação. O objetivo é compreender como a implantação desse cemitério público refletiu mudanças urbanas, sanitárias e sociais, contribuindo para a formação de hierarquias no universo da morte. A pesquisa baseia-se na análise de fontes primárias, incluindo atas da Câmara Municipal de São Paulo, legislações sanitárias, periódicos da época e registros relacionados à administração funerária, em diálogo com a historiografia sobre morte, memória e espaço urbano. Os resultados demonstram que a criação do Cemitério da Consolação, inaugurado em 1858, integrou o processo de modernização urbana impulsionado pelos discursos higienistas, mas também reproduziu desigualdades sociais por meio da diferenciação espacial das sepulturas e da preservação seletiva da memória. Conclui-se que o cemitério não constituiu apenas um local de sepultamento, mas um espaço de disputa simbólica, no qual se expressavam relações de poder, distinções sociais e mecanismos de construção e exclusão da memória coletiva.

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Publicado

2026-08-26

Como Citar

SANCHES, G. Hierarquias da morte : espaço funerário, distinção social e memória no Cemitério da Consolação (São Paulo, século XIX). Sacrilegens , [S. l.], v. 23, n. 1, p. 112–132, 2026. DOI: 10.34019/2237-6151.2026.v23.52733. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/52733. Acesso em: 31 ago. 2026.