Ritual e encasamento

o mundo como habitação segundo Mircea Eliade e Byung-Chul Han

Autores/as

  • Vinicius Santos Santana UFBA

DOI:

https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.53068

Palabras clave:

Ritual, Encasamento, Sagrado e Profano, Homo religiosus

Resumen

O artigo analisa o possível diálogo entre Byung-Chul Han e Mircea Eliade a partir das obras O Desaparecimento dos Rituais (2019) e O Sagrado e o Profano (1957), investigando o papel do ritual na constituição da experiência humana. A pesquisa, de caráter bibliográfico e hermenêutico, aproxima conceitos da história das religiões, da filosofia contemporânea e da antropologia simbólica a fim de compreender os rituais como formas de produzir sentido e estabilizar a existência humana. Sustenta-se que, embora inseridos em horizontes teóricos distintos, Han e Eliade compreendem o ritual como manipulação simbólica de ordenação do mundo. Em Eliade, o homo religiosus estrutura sua experiência no mundo ao sacralizar espaço e tempo em antagonismo ao espaço e tempo profanos. Em Han, o conceito de encasamento (beheimatung) expressa a necessidade humana de transformar o mundo em espaço habitável mediante práticas repetitivas que dão significado e um código comum às comunidades humanas enquanto intérpretes da realidade. Argumenta-se, assim, que o ritual, além de organizar ações de entendimento coletivo, funda uma gramática simbólica capaz de tornar o mundo habitável e cognoscível. Ao tornar significativos o tempo e o espaço, conferindo inteligibilidade à experiência, os rituais oferecem continuidade frente à fragmentação e à aceleração características da contemporaneidade.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Vinicius Santos Santana, UFBA

Mestrando em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBa) na linha de pesquisa Sociedade, Relações de Poder e Região. Graduado em História pela mesma instituição, é bolsista do Programa Milton Santos e pós-graduado em Direito Administrativo pela FAMEF. Seus interesses de pesquisa concentram-se em História Intelectual, História das Ideias, Teologia e História das Religiões. Atua como professor convidado no Instituto Gamaliel de Teologia.

Citas

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. Tradução de Ivone Castilho Benedetti. 5. ed. revisada e ampliada. São Paulo, Martins Fontes, 2007.

ARENDT, Hannah. Vita activa oder Vom tätigen Leben. Munique, Piper, 2002.

BARTHES, Roland. Das Neutrum. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2005.

BAUMAN, Zygmunt. O Mal-Estar da Pós-Modernidade. Tradução: Mauro Gama e Claudia Martinelli Gama. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1998.

BÍBLIA. Novo Testamento: os quatro Evangelhos. Tradução do grego, apresentação e notas por Frederico Lourenço. São Paulo, Companhia das Letras, 2017.

DURKHEIM, Émile. As formas elementares da vida religiosa: o sistema totêmico na Austrália. Tradução de Paulo Neves. São Paulo, Martins Fontes, 1996.

ELIADE, Mircea. Imagens e símbolos: ensaio sobre o simbolismo mágico-religioso. Tradução de Sônia Cristina Tamer. São Paulo, Martins Fontes, 2002.

ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões. Tradução: Rogério Fernandes. São Paulo, Martins Fontes, 2018.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Tradução de Fanny Wrobel. Rio de Janeiro, LTC, 2008.

HAN, Byung-Chul. Psicopolítica: o neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Tradução: Maurício Liesen. Belo Horizonte, Editora Ayiné, 2018.

HAN, Byung-Chul. O desaparecimento dos rituais: uma topologia do presente. Tradução de Gabriel Salvi Philipson. Petrópolis, Vozes, 2021.

HAN, Byung-Chul. Infocracia: digitalização e a crise da democracia. Tradução de Gabriel Salvi Philipson. Petrópolis, Vozes, 2022.

HAN, Byung-Chul. A crise da narração. Tradução de Daniel Guilhermino. Petrópolis, Vozes, 2023a.

HAN, Byung-Chul. O coração de Heidegger: sobre o conceito de tonalidade afetiva em Martin Heidegger. Tradução de Lucas Nascimento Machado. São Paulo, Vozes, 2023b.

HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Tradução de Márcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis, Editora Universitária São Francisco, 2006.

HIGUET, Etienne Alfred. Hermenêutica da Religião. In: PASSOS, João Décio;

USARSKI, Frank. Compêndio de ciência da religião. São Paulo, Paulus, 2013, p. 457-468.

LE GOFF, Jacques. Em busca do tempo sagrado: Tiago de Varazze e a Lenda Dourada. 2. ed. Tradução: Marcos de Castro. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2017.

MENDES, Danilo; QUEIROZ SOUTO, Felipe de. Introdução ao Dossiê de Hermenêutica da religião. Sacrilegens, Juiz de Fora, v. 21, n. 2, p. 9–11, 2025. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/47259. Acesso em: 18 jun. 2026.

MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Verbete “consagrar”. São Paulo: Melhoramentos, [s.d.]. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/modernoportugues/busca/portugues-brasileiro/consagrar/. Acesso em: 3 set. 2025.

OTTO, Rudolf. O Sagrado: os aspectos irracionais na noção do divino e sua relação com o racional. Tradução de Walter O. Schlupp. São Leopoldo, sinodal/EST, 2021.

PLUTARCO. Vidas paralelas. v. 1: Teseu – Rómulo; Licurgo – Numa. Tradução de A. Pérez Jiménez. Madrid: Gredos, 1985. (Biblioteca Clásica Gredos, 77).

ROEHE, Marcelo Vial; DUTRA, Elza. Dasein, o entendimento de Heidegger sobre o modo de ser humano. Av. Psicol. Latinoam. Bogotá, v. 32, n. 1, p. 105-113, Apr. 2014. Disponível em: http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1794-

47242014000100008&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 10 mai. 2026.

SOLECKI, Ralph S.; SOLECKI, Rose L.; AGELARAKIS, Anagnostis P. The protoNeolithic cemetery in Shanidar Cave. College Station: Texas A&M University Press, 2004. Disponível em: https://archive.org/details/protoneolithicce0000sole. Acesso em: 01 mai. 2026.

STRONG, James. The New Strong's Expanded Exhaustive Concordance of the Bible. Red letter ed. Nashville: Thomas Nelson, 2010. Versão digital para aplicativo. Disponível em: Olive Tree Bible App / Google Play Store ou Apple App Store. Acesso em: 23 mai. 2026.

TURNER, Victor W. O processo ritual: estrutura e antiestrutura. Tradução de Nancy Campi de Castro. Petrópolis, Vozes, 2013.

VAN GENNEP, Arnold. Os ritos de passagem. Tradução de Mariano Ferreira. Petrópolis, Vozes, 2011.

Publicado

2026-10-26

Cómo citar

SANTOS SANTANA, Vinicius. Ritual e encasamento: o mundo como habitação segundo Mircea Eliade e Byung-Chul Han. Sacrilegens , [S. l.], v. 23, n. 2, p. 81–100, 2026. DOI: 10.34019/2237-6151.2026.v23.53068. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/53068. Acesso em: 4 nov. 2026.

Número

Sección

Temática Livre